Nesta semana, três fatos chamaram a atenção dos que acompanham as edições do Comércio, os programas da Rádio Difusora e as notícias do Portal GCN: primeiro, sobre um matadouro estabelecido na região, já fechado, onde bois e vacas eram abatidos sem condições mínimas de higiene e com emprego de métodos bizarros como marretadas e machadadas. Depois, o relato de uma consumidora que postou na sua página em rede social a foto de uma lesma que alega ter encontrado num sanduiche comprado em lanchonete. Um pouco antes, uma dona de casa reclamava de que tinha encontrado um sapo dentro da embalagem do molho de tomate que havia comprado. São três ocorrências perturbadoras, que mostram a vulnerabilidade dos órgãos sanitários fiscalizadores e os riscos a que os consumidores podem estar expostos no dia-a-dia.
Mais do que preocupante, no que diz respeito à saúde pública, vê-se que não somos apenas nós, brasileiros, que estamos expostos à possibilidade de ingerirmos alimentos eventualmente impróprios para o consumo. Recentemente, na Europa, a carne de cavalo estava sendo utilizada para o preparo de alimentos como se bovina fosse. Embora a carne de cavalo possa ser consumida, o que acontece em alguns países, no caso em pauta burlavam-se as leis locais. Todas estas situações passaram por uma fiscalização deficiente. Diante da falta de solução dos órgãos sanitários, os consumidores usam e abusam das redes sociais e, também, procuram a imprensa.
No caso da carne bovina - e quantos neste País não devem estar consumindo um produto proveniente de abatedouros contaminados e sem condições? -, urge uma providência imediata no sentido de endurecer a fiscalização. Embora os chamados abates clandestinos tenham desaparecido da crônica policial, é de espantar que muitos abatedouros de aves e animais continuem ativos e ameaçando a nossa saúde. É certo que vivemos num País de dimensões continentais, mas não se podem conceber descasos para com o bem estar da população, não só da parte dos proprietários destes estabelecimentos sem o mínimo cuidado sanitário, como dos governos em todas as esferas, que deixam de considerar a necessidade de apertar a fiscalização para proteger a saúde pública. Algo precisa ser feito em favor da saúde da população que, muitas vezes, não consegue avaliar à primeira vista a condição em que os alimentos estão chegando à sua mesa.