Que razões existiriam para alguém se proclamar apaixonado pela cidade onde ou nasceu, ou cresceu, ou mora, ou morou a ponto de integrar grupo virtual que possui divisa amorosa e ter orgulho de se mostrar declarado, explícito e assumido sócio dessa comunidade?
Apaixonados por Franca: tem coisa mais bairrista? Só em Campinas, chamada de Estados Unidos de Campinas, em tempo que vai longe. Não achei associação com esse nome – nem virtual nem real – que exaltasse ou homenageasse outra cidade qualquer. E temos - oh se temos! - 11 759 seres dos mais diversos tipos, idades, origens, meios, fins, preferências e estados civis, entre os quais tenho o maior orgulho em estar, que solenemente declararam amor por este rincão. Entusiasmei-me, quando li que dia 7 de abril a página Apaixonados por Franca, do Facebook, completará seu primeiro ano de existência. E deixei a imaginação voar, pensando nos motivos pelos quais as pessoas – nascidas ou não aqui – se adicionam (para usar o jargão internetês) e postam mensagens de amor pela cidade.
Franca está distante dos grandes centros culturais: podia ter, mas não tem teatro de se orgulhar e os três espaços disponíveis – Municipal, Judas Iscariotes e Sesi – são pequenos, tanto assim que fica difícil divulgar a programação cultural (excelente) que, por exemplo, o SESI oferece por causa da dificuldade de atender público maior, interessado nos espetáculos. Franca se diz paulista mas os francanos falam perfeito mineirês, fora as apócopes que pratica, como nos gerúndios: francano da gema diz amano, quereno, dizeno, fazeno, olhano, pensano e por aí afora. Franca não tem livrarias, mas tem escritores de monte. É cidade de pessoas alegres, festivas, mas fechadas: formar grupos de amigos é difícil. Entrar em qualquer deles leva tempo. Carioca que veio morar aqui, reclamou: “Vocês nos convidam: ‘aparece lá em casa’, dizem. Mas não dão o endereço! E como é isso, de ‘aparecer’? Quem aparece é fantasma, eu ainda não morri!...”
Franca tem endereços malditos – onde supostamente enterraram carcaça de burro – nada prospera em alguns prédios: nenhum negócio, nenhum comércio, nem planta viceja. Quer exemplo? Na Major Claudiano, perto da antiga AEC... Aquele local já abrigou dezenas de empreendimentos diferentes. Nenhum vingou! Franca mostra-se abúlica diante de situações políticas questionáveis. Mostra-se invejosa quando o sujeito prospera. E muitos francanos adoram abater e ver a derrocada de alguns casos de êxitos. Aqui pertinho tem Serra da Canastra, represa da Rifaina (onde infelizmente ergueram arranha-céu), balneário que só prospera. Tem represa do Estreito com deslumbrantes vistas. Tem salas razoáveis, mas não tem cinema que ofereça filmes legendados na quantidade e frequência que muitos gostariam, mas tem Ribeirão Preto por estrada duplicada. Tem excelentes escolas infantis, mas péssimos alunos de segundo e terceiro graus, que vieram de casa deseducados por seus pais. Tem polícia eficiente, embora os profissionais se mostrem, não raro, mais empenhados em fiscalizar documentos que observar velocidade, segurança, situação de conservação da frota. Tem idealistas que não nasceram aqui como o maestro Nazir Bittar; regente de coral do nível de Enrico Nery; Diego Figueiredo; teve professores de piano como Ambrosina de Carvalho, Inah Sandoval, tem a Marlene Minervino; tem Conjunto da Saudade; nem sei quantos grupos musicais que tocam de Bach a Pixinguinha; Rio Negro e Solimões, Gian & Giovanni; Unifran, UNESP, a Universidade Municipal. Tem a Patrícia. Teve dona Melica, dona Evelina Gramani Gomes, dona Lydia Ballerini. Tem muita gente invejosa que fica na espreita tecendo tramas escabrosas e planejando rabo de arraia no companheiro mas tem artistas plásticos maravilhosos! Pela minha perspectiva, evidentemente. Todavia o que me faz adorar essa cidade – contraditória e de clima agradável – e me declarar apaixonada por ela é o pôr-do-sol nas tardes de Outono e Inverno. Nesse aspecto, meu filho, Franca é absolutamente inigualável! Imbatível!
Pílulas
“Ajude os desafortunados. Aceite convites para festas. Aprenda com seus erros. Aprenda outro idioma além do seu. Coragem: faça o que é certo, mesmo que isso o torne impopular Cuide de seu corpo. Dê gorjeta por bom serviço e nunca recompense o mau serviço. Dê-se o seu melhor em situações de aprendizagem. Divirta-se sempre. Nunca desista! Nunca sinta pena de si mesmo. Nunca abandone um amigo. Nunca inicie conversa com estrangeiro, sem primeiro cumprimentá-lo em sua língua materna. Orgulhe-se de você e de onde veio, mas abra sua mente para outras culturas. Prepare-se para colocar os interesses do seu irmão à frente dos seus. Respeite a idade das pessoas. Seja cortês. Seja pontual. Seja generoso, atencioso e compassivo diante da dificuldade alheia. Seja humilde. Sempre diga ‘por favor’ e ‘obrigado’ e certifique-se de usar corretamente garfo, faca e guardanapo. Sempre trate quem acabou de conhecer como seu igual. Sempre olhe para o lado bom de todas as situações. Só compre aquilo que você pode pagar. Treine para seu instinto se habituar a dizer sim. Viva o máximo de cada dia.” (Desconheço o autor)
Dúvidas
Prova cabal de que Deus não é brasileiro: permitiu escândalos políticos, deixou impune a amoralidade dos políticos nacionais e agora frustrou-nos com a eleição de papa argentino... E o novo pontífice? Terá sido colaborador da ditadura? E Bergoglio: será considerado “americano” ou “sul-americano”? E a rima do nome com imbróglio: mera coincidência ou profecia?
Lúcia Helena Maniglia Brigagão[
Jornalista, publicitária e membro da Academia Francana de Letras - luciahelena@comerciodafranca.com.br