Ao ser acordada pela mãe às 5 horas de ontem, uma sapateira de 17 anos se desesperou ao não encontrar o filho de um ano e quatro meses. Depois de olhar por toda a casa, ela saiu para a rua gritando por ajuda. Sem achá-lo, a jovem telefonou para a polícia e foi informada que uma criança com as mesmas características tinha sido encontrada pouco tempo antes e estava com o Conselho Tutelar. O garoto, que usava só fralda e camiseta, andou dois quarteirões até chegar à avenida Major Elias Motta. Ele foi localizado por uma mulher que passava de carro pelo local e acionou a polícia, que chamou o Conselho Tutelar. A mãe da criança chegou a ser procurada nas proximidades, mas não foi localizada.
A sensação de alívio da sapateira se misturou com o receio de não conseguir ver o filho novamente. “Eu estava muito desesperada. Só chorava. Quando me falaram que ele estava com o Conselho Tutelar, fiquei com muito medo de acharem que abandonei meu filho na rua. Mas não foi isso que aconteceu. A minha patroa telefonou para lá e foi informada que ele estava na Casa do Aconchego e que eu poderia buscá-lo às 8 horas. Nossa, a hora não passava.”
O conselheiro tutelar Ilton Sérgio Ferreira, que acompanhou o menino, disse que em nenhum momento a criança chorou e estava muito tranquila. “Ele é bem dócil. Constatamos que não estava machucado. Foi uma infelicidade o que aconteceu. Por isso, ele voltou para a mãe.”
A sapateira mora em uma casa simples com a mãe, um tio e um irmão no Jardim São Luiz II. O imóvel não tem portão e a porta não tem dobradiças, sendo apenas encostada com um pedaço de madeira. A jovem disse que costurou sapato até o início da madrugada e, às 3 horas, acordou para amamentar o filho e voltou a dormir com ele na mesma cama. “Ele saiu pelo vão da porta que ficou aberta após meu tio passar para ir ao banheiro que fica fora da casa.”
O menino fez o mesmo trajeto que está acostumado a fazer com a mãe quando vai a um supermercado na avenida Major Elias Motta, onde foi encontrado. “Fiquei com medo de alguém ter roubado ele ou ele ter morrido. Felizmente nada aconteceu. A avenida é muito movimentada e no bairro tem muito cachorro solto na rua. Quando o policial disse que ele tinha sido encontrado, não acreditei. Achava que não era ele. Só quando vi, fiquei tranquila.”
Depois do susto, a sapateira disse que providenciará a instalação da porta. A “aventura” parece não ter causado nenhum trauma à criança, que ontem dormiu boa parte do dia e passou a tarde brincando. “Queria muito agradecer a mulher que encontrou meu filho. Se não fosse ela, não sei o que poderia ter acontecido.”
O Comércio tentou contato com a mulher que encontrou a criança, mas não a localizou.