09 de julho de 2026

Família de dom Odilo se diz ‘aliviada’ com escolha


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Mesmo com o anúncio do nome do novo papa, o argentino Jorge Mario Bergoglio, os familiares do arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, reunidos em Toledo, no oeste do Paraná, procuraram não demonstrar frustração com o resultado e disseram “estar aliviados” com a escolha. O professor universitário, Flávio Scherer, irmão de dom Odilo, foi quem falou com os jornalistas brasileiros e estrangeiros durante uma entrevista coletiva na tarde de ontem, após o anúncio do novo papa.

“Eu até me sinto aliviado por não terem escolhido o meu irmão porque o novo papa terá de resolver enormes problemas da Igreja Católica e agora ele estará mais próximo da família”, disse Flávio, cuja casa onde reside em Toledo virou o centro de atenção da imprensa mundial nos últimos dias.

Para ele, a escolha de Bergoglio é um sinal de abertura da Igreja Católica. “Agora mudou o eixo, acabou o eurocentrismo”, disse Flávio, que considerou a escolha do argentino uma surpresa “Esperava-se um papa mais jovem”. A expectativa dele é de que o novo papa possa ouvir mais os povos que foram colonizados, ter novas visões de mundo, em especial na América Latina.

O padre Inácio Scherer, que é pároco na Catedral de Toledo e primo de dom Odilo, também falou sobre o resultado da eleição. “Não me sinto abatido por não escolherem o meu primo”, disse, ponderando que seria uma alegria para a família, para a igreja do Brasil, da América Latina e dos países emergentes e países pobres tê-lo no posto.

Para ele, a eleição de um papa fora da Europa é um sinal de mudança profunda na Igreja. “A Europa precisa ser evangelizada de novo. Por isso o eurocentrismo não seria benéfico neste momento que exigia um papa mais missionário e transparente, não que o antecessor não fosse”, frisou.

'RENOVAÇÃO’
O arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, recebeu com alegria o anúncio do novo papa, Francisco I. “Espero que ele possa fazer um grande bem à Igreja”, afirmou, ao destacar a simplicidade e a humildade demonstradas pelo novo papa na sua primeira aparição pública. “Apesar de ter 76 anos, ele aparenta muita força e vigor”, avaliou o arcebispo, que acredita na capacidade do papa Francisco de enfrentar os vários problemas da Igreja – que vão de denúncias internas de pedofilia a dificuldades vivenciadas em regiões do mundo a exemplo do Oriente Médio e Ásia. “A Igreja precisa de renovação”, afirmou o arcebispo.