Restos de entulho e enormes bancos de areia têm comprometido, pela segunda vez em cinco anos, a represa do Castelinho. Cartão postal do clube, o local sofre desde o começo do ano com o grande volume de terra que desce para o reservatório, principalmente durante as chuvas. O avanço do assoreamento ganha proporções consideráveis, ameaça a vida dos animais aquáticos ali existentes e revolta frequentadores e ambientalistas.
Segundo o presidente do Castelinho, José Antônio Filho, o problema foi se agravando gradativamente em razão da falta de um trabalho preventivo para conter o excesso de terra vindo do terreno dos fundos. Basta dar uma volta pela represa para perceber o cenário desolador. Em alguns trechos, por exemplo, a pista de caminhada está encoberta por pedras e terra. Também é possível ver no meio da represa trechos cobertos de areia, como se fossem ilhas.
José Antônio diz que encomendou um laudo técnico e esse apontou inúmeras irregularidades para a causa do desastre na represa. “Estão construindo um loteamento nos fundos da represa e a caixa seca que eles construíram transbordou, então, nós procuramos os responsáveis para nos ajudar e a Val Rocha prometeu que dará um apoio.” A previsão, segundo ele, é que os serviços sejam executados após as chuvas.
A construção que o presidente se refere é o loteamento Santa Lúcia. O bairro tem 980 lotes e está em fase de conclusão entre o Jardim Samello Woods e a avenida São Vicente. O diretor da Val Rocha, Mathias Val Rocha, disse que é apenas um prestador de serviço da empresa dona do loteamento e só fará a obra se o loteamento for responsabilizado pelo assoreamento da represa. “Existe a intenção de resolver o problema, mas desde que a responsabilidade seja do loteamento.”
O topógrafo e fiscalizador das obras do loteamento, Jaime Pereira, disse ter enviado uma retroescavadeira para o clube em mais de uma ocasião. Mas, esclareceu se tratar de uma ajuda. “Estamos oferecendo a máquina a título de ajuda, a obra que prometemos é uma troca de tubulação. Não vamos fazer o trabalho de desassoreamento.” Pereira afirmou ainda que o loteamento não foi o causador do assoreamento. “Se tivesse responsabilidade, a obra estaria embargada. É um conjunto de fatores que se agravam com a chuva e essa não é criada por ninguém. É um fenômeno natural.”
O promotor de Justiça do Meio Ambiente, Fernando Martins, não foi encontrado para falar sobre o assunto. Na Prefeitura, a assessoria de imprensa informou que não houve pedido formal de audiência ou de ajuda.
O superintendente da Cetesb, Francisco Setti, disse há cerca de um mês que mandaria uma equipe ao local para verificar a situação da represa. Ontem, ele não retornou as ligações feitas ao órgão.