A morte da agente de comércio exterior e professora universitária, Ana Carolina Caleiro Manfredi, de 34 anos, causou comoção em Franca nesta terça-feira e lotou o velório São Vicente. A notícia de seu falecimento pegou todos de surpresa e até nas redes sociais.
Carol, como era carinhosamente chamada por familiares e amigos, estava vivendo o período mais feliz de sua vida. Ela estava realizando o sonho de ser mãe. Grávida de três meses, tinha sua atenção toda voltada para a maternidade. Um dia antes de sua morte, reuniu a família e os amigos para comemorar o ultrassom que revelou o sexo do bebê. Carol estava feliz por esperar uma menina. A comemoração aconteceu em um restaurante da cidade. Depois do encontro, ela foi para casa acompanhada do marido, o funcionário do Banco do Brasil, Renato Manfredi.
Carol não conseguiu dormir. Incomodada com fortes dores na região abdominal, acordou o marido que resolveu ligar para o seu pai médico. O socorro veio logo em seguida. Uma ambulância levou Carol direto para a emergência do Hospital Regional de Franca. Mas com complicações da gravidez, a jovem mãe não resistiu e morreu às 6h30 desta terça-feira.
Para a família, a morte foi um duro golpe porque Carol nunca apresentou problemas de saúde e, como sonhava muito em ser mãe, se cuidava. Ia a consultas com nutricionistas e não faltava aos retornos do pré-Natal. Ângela Caleiro, tia da professora, resume o sentimento dos familiares. ‘Não entendemos ainda o que aconteceu. A morte dela nos surpreendeu. Ela era muito ativa, saudável. Amava a vida. A dor é muito grande.’
Carol cresceu em Franca. Filha única, tinha os primos Juliana, Manoel, Henrique, Gustavo, Ana Flávia e Tarcísio como irmãos. Desde pequena, Ana Carolina adorava viajar e conhecer novos lugares, novas culturas. Por isso escolheu como profissão o comércio exterior. Aos 34 anos, já conhecia 29 países. Carinhosa, sempre que viajava gostava de trazer presentes para todos os amigos e familiares. ‘Sempre tinha uma lembrancinha, por mais simples que fosse. Ela nunca esquecia de ninguém’, disse a tia.
A paixão de Carol sempre foi sua família. Tinha na avó Odilia Teixeira Caleiro, seu porto seguro. Sofreu quando a matriarca faleceu. Com a mãe Sinara e as tias Ângela e Cinira, era um dengo só. Mesmo sendo filha única, sempre dizia que não se sentia sozinha.
Carol tinha o sonho de ser mãe e adorava os ‘sobrinhos’ (filhos de seus primos) Gabriel, José, Pedro, Tarcísio Filho, Leonardo, André e Rafael. Passava horas entretida brincando com as crianças em encontros e visitas familiares.
Muito inteligente, Carol gostava de ler e estudar. Começou cedo a trabalhar. Dedicada, sempre recebeu elogios. Seu desempenho a acabou levando às salas de aula novamente. Convidada, aceitou lecionar na Unifran (Universidade de Franca). Depois, atuou na Fundação Getúlio Vargas, onde ministrava cursos a distância e presenciais.
Depois de passar dois anos morando em Belo Horinzonte por conta do trabalho de seu marido, no ano passado, Carol tinha voltado a residir em Franca. Comprou a casa que tanto sonhava e dizia estar muito realizada. Apaixonada por Renato, queria dedicar mais tempo à família. Não conseguiu. Sua morte aconteceu antes.
Seu velório lotou o São Vicente. O enterro na tarde de ontem no Cemitério da Saudade comoveu dezenas de amigos e familiares.