08 de julho de 2026

Vida artificial


| Tempo de leitura: 4 min

A cada dia que passa as pessoas têm dependido mais e mais da internet e dos seus benefícios. Antes, o que se limitava apenas aos jovens, agora também é acessível e utilizado muito por adultos e idosos. A grande maioria destas pessoas encontrara nas redes sociais a possibilidade de se expressar, de se mostrar, de compartilhar aventuras, fotos, amores... E com quase um bilhão de usuários, o Facebook é a rede social que mais cresce no mundo e tem dominado cada vez mais a preferência de quem usa em algum momento do dia a rede mundial de computadores. O Brasil, por exemplo, é o segundo país com maior participação na rede, com quase 50 milhões de pessoas cadastradas. O brasileiro gasta 1/3 do seu tempo na web, acessando o bendito do Facebook. A inclusão digital e toda a acessibilidade têm chamado a atenção de especialistas e médicos que cuidam de doenças psíquicas. O internauta tornou-se cada vez mais dependente e a influência que isso causa pode ser perigosa. Como já diziam os mais antigos: tudo em excesso faz mal. Agora, a questão pode ser ainda pior.

Segundo estudos apresentados em fevereiro pela Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, após acompanhar a rotina de 205 pessoas em redes sociais por sete dias, os pesquisadores concluíram que resistir às tentações de redes, como Facebook e Twitter, é mais difícil do que se livrar de vícios como alcoolismo e tabagismo. O estudante de biologia, Douglas Alves, não bebe e nem fuma, mas a se rendeu ao vício tecnológico. “É realmente difícil. Esse vício pelo Facebook tem se espalhado de forma intensa. Tem gente que acorda e já liga o computador, e ainda passa o dia inteiro no site. Ele é realmente mais atraente do que cigarro e bebidas, porém tão perigoso quanto”, disse Douglas. Um outro dado divulgado recentemente deixa claro a opinião de Douglas. Estudos realizados em fevereiro pela Online Schools mostram que metade dos usuários do Facebook, com idades entre 18 e 34 anos, acessa a rede logo ao acordar e 28% desses jovens fazem isso ainda quando estão na cama.

O DISTÚRBIO
A psicóloga Paula Puglia conta que esse tipo de dependência começou a ser considerada como distúrbio e que já se fala em publicá-la na edição de 2013 do manual de psiquiatria DSM IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais). Segundo Paula, o distúrbio atinge principalmente quem está infeliz com algo em sua vida. “A dependência passa a ser criada a partir do momento em que a pessoa usa as redes sociais para preencher algo que não vai muito bem em sua vida. E assim como todo vício, ao buscar a forma errada de preencher o vazio, a pessoa pode agravar ainda mais sua situação”, disse. Paula ainda completa que, do mesmo jeito que as redes sociais servem para as pessoas se conhecerem, elas podem ocasionar desunião também. “Hoje em dia nós perdemos o contato físico com as pessoas, preferimos mandar uma mensagem no chat a conversar olho no olho. Os relacionamentos tornaram-se mais frágeis. Com todos esses problemas emocionais gerados pela internet, as pessoas não conseguem mais se expressar diretamente.”

COMO SABER SE VOCÊ É VICIADO?
Para saber se você está realmente viciado em redes sociais, a psicóloga Paula Puglia dá algumas dicas. “É importante observar a quantidade de tempo que você fica na internet, se consegue manter-se desconectado por muito tempo e, principalmente, se deixa de fazer alguma atividade importante para poder ficar na internet.” Para a especialista, os pais devem estar sempre atentos a seus filhos, observar o tempo que ficam conectados e estimulá-los para que façam outras atividades que não envolvam o uso do computador. “É ideal estipular um tempo para que o filho fique na internet para que tenha limites e oferecer outras opções de atividades e lazer para que o jovem não opte somente pela internet e meios eletrônicos de lazer”, orienta.

TRATAMENTO
Esse, como qualquer outro vício, pode criar uma dependência grande que faz com que a pessoa não controle seus impulsos. Chega a ser mais agravante do que a dependência química porque envolve a vontade da pessoa em estar em frente a um computador e a facilidade disso. “Já são utilizados alguns tipos de tratamento, muito parecidos com os de distúrbios psicológicos, mas de acordo com as particularidades deste distúrbio. Esse tipo de dependência é algo real e faz parte do nosso cotidiano, por isso é necessário ter cautela para o vício não se agravar e acabar se transformando em alguma doença séria”, afirma Paula.

DICAS DE USO DAS REDES SOCIAIS
Não aceite quem você não conhece.
Defina prioridades, não troque algo importante pelo Facebook.
Passe menos tempo no chat. Conversar com a pessoa o dia inteiro pela internet deixa vocês “sem papo” quando se virem pessoalmente.
Não conte tudo o que faz no dia-a-dia. Além de ser perigoso, publicar tudo o que você faz e onde você está, é muito inconveniente.
Está muito viciado? Desative sua conta! Um tempinho longe da rede não faz mal a ninguém. Lembrando que em casos mais graves é importante procurar a ajuda de um psicólogo.