Os noticiários nos deram a conhecer o triste fato de um jovem que, em Manaus (AM), mandou assassinar familiares seus por questões de disputa de herança. O caso é, em si mesmo, lamentável sob todos os aspectos, mas torna-se mais execrando, sabendo-se que o mandante vitimou também o próprio pai. Não que seja desculpável o assassínio de quem não seja familiar, mas, em se tratando de parricídio, o crime torna-se ainda mais abominável. E a violência torna-se mais complexa do ponto de vista de moralidade, quando motivada por herança ou qualquer disputa pela posse de bens materiais.
Aqui cabe perguntar: para chegar-se à propriedade material, por maior que seja seu valor, justifica qualquer meio, inclusive exterminar o bem mais precioso chamado vida? Evidentemente que não! Vê-se que está faltando esforço humano no rumo da compreensão dos desígnios divinos, moralmente determinantes na substituição de valores materiais por valores eternos e efetivamente felicitantes. Vê-se, ainda, que está faltando entendimento de que não somos donos de nada. Somos, apenas, usufrutuários dos bens que a Sabedoria Divina nos emprestou.
Mais cedo ou mais tarde, haveremos, pelas vias da desencarnação, de deixar tudo o que acumulamos no plano terreno que não sejam qualidades morais. Assim sendo, de que vale conspurcar-nos a realidade espiritual com a lama da ganância. É evidente que o tesouro adquirido de forma legítima, sobretudo pelo trabalho, é possibilidade que a própria vida nos oferece. O que se deve lamentar, decididamente, é a eleição dos bens materiais como única meta de vida; é possuir bens e riqueza a qualquer custo.
Como bem o sabemos, os bens materiais são neutros, nós é que lhes damos o destino devido. Tanto podem ser a nossa salvação como a nossa perdição. Por isso, o Mestre Jesus nos disse: “Juntai para vós tesouros no céu, onde a traça não os corrói, a ferrugem não consome e os ladrões não roubam”. Estes tesouros imperecíveis é que devem ser a nossa meta de vida. É óbvio que dependemos da utilidade da matéria, enquanto experienciamos num corpo físico. Do dinheiro dependemos para a realização dos nossos objetivos materiais e até para cumprimento dos fins caritativos a que nos entregamos.
No entanto, de que vale ‘perder a nossa alma’, com atitudes infelizes. Certamente que, se mandante e executores do crime conhecessem a realidade espiritual, jamais assumiriam tão nefasta atitude. Não que espiritualistas estejam livres de cometer crimes. Num planeta como o nosso, todos somos imperfeitos! Mas, a certeza da vida futura, a vida espiritual, leva o indivíduo a raciocinar mais cautelosamente. Mormente se entender que sofrerá as consequências de seus atos. Tudo que fizer contra a Lei de Deus é contra si próprio que estará fazendo.
Assim, por uma questão de inteligência, evitemos complicar-nos perante a Lei. Não carreguemos conosco qualidades que nos infelicitarão na vida espiritual. O bom senso nos diz que os melhores tesouros são aqueles que enriquecem a nossa alma, enobrecem o nosso caráter, dignificam os nossos atos.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Idefran (Instituto de Divulgação Espírita de Franca)