Apresentado como a grande solução para o trânsito no cruzamento das movimentadas avenidas Major Nicácio e Ismael Alonso y Alonso, o viaduto Dona Quita (cuja inauguração está prometida para este mês) apresenta uma série de preocupações e dúvidas, agora que se conhece exatamente a sua configuração. Além do problema sério das enchentes do córrego do Cubatão (cuja solução se arrasta há décadas e não há uma perspectiva de que ocorra em curto prazo), percebe-se que quando foi confeccionado o projeto da obra esqueceu-se do principal: o impacto que o viaduto traria ao trânsito. Hoje se vê que, infelizmente, não houve este cuidado necessário na etapa inicial. Agora, as preocupações se avolumam já que é possível perceber que a via de transposição da Avenida Major Nicácio pode prejudicar ainda mais o trânsito naquele local.
Inicialmente, o viaduto causa um estrangulamento nas pistas da Major Nicácio e um impacto ainda não mensurado deve acontecer na pista direita de quem sai da Ismael Alonso y Alonso com destino aos altos da Santa Cruz. Apenas uma pista vai permitir o trânsito destes veículos, onde ainda há a saída do chamado ‘drive tru’ de uma loja de fast food existente bem na esquina das duas vias. Por isso, não é um exercício de futurologia - e sim uma constatação de quem conhece a obra mais de perto - afirmar que o trânsito provavelmente não fluirá como o esperado, além de crescer as chances de acidentes no local.
Se com a rotatória ali existente o trânsito se tornava difícil e vários acidentes ocorriam, com o viaduto a solução que se procurava pode se tornar inócua, pois já se antevê que as ocorrências deste tipo podem se tornar mais correntes, pois não apenas a ligação Cidade Nova - Santa Cruz (pela Major Nicácio) causaria maior congestionamento e lentidão, como também o acesso da Alonso y Alonso para a Major Nicácio e vice-versa. Ao que parece, ninguém percebeu (ou não quis perceber) que o perigo seria ainda maior.
A pressa em se aprovar e construir a obra (menina dos olhos do ex-prefeito Sidnei Rocha) traz à tona, agora, uma série de detalhes que deveriam ter sido levados em consideração. Não é leviano afirmar que o viaduto já trouxe uma consequência negativa: sem o alargamento da calha do Córrego Cubatão as enchentes se tornaram ainda mais agressivas, causando um alagamento no térreo do Fórum ‘Alberto de Azevedo’ que pode prejudicar de forma definitiva volumes de processos, sentenças e pareceres ali armazenados. E agora, diante da possibilidade de não resolver o desenvolvimento do trânsito naquele ponto da cidade - além de apresentar uma curvatura muito acentuada - o mesmo corre o risco de necessitar de intervenções futuras para a correção de algo que deveria ser feito ainda na fase de projeto. Torcemos para que, na prática, o viaduto realmente contribua para melhorar o fluxo dos veículos naquela importante região da cidade. Do contrário, seria mais dinheiro enterrado numa obra que acabará pesando indefinidamente no bolso do contribuinte francano.