Quem tem menos de 30 anos ou um pouco mais, sabia que ontem, iria acordar e ver inúmeras notícias sobre a morte de um líder e a tristeza de uma nação. A morte no dia anterior de Hugo Chávez, presidente da Venezuela, havia repercutido muito nas redes sociais na noite de terça-feira, 5. Porém, ninguém esperava que o sentimento de luto se transferiria, em questão de horas, para as almas dos brasileiros. Entre milhares de fiéis seguidores e simples simpatizantes, a repentina morte de Chorão, com apenas 42 anos, pegou a todos de surpresa. O corpo do líder da banda Charlie Brown Jr. foi encontrado pelo motorista do grupo na madrugada de ontem, em seu apartamento, em São Paulo. Ainda não se sabe o que provocou sua partida precoce, mas as primeiras informações apontaram para uma autodestruição intensa provocada por remédios e álcool. Aparentemente ele não conseguiu se recuperar do divórcio com a estilista Graziela Gonçalves.
Mas não estamos aqui para falar apenas da morte de Alexandre Magno Abrão, nome real de Chorão. Notícias mais precisas surgirão nos próximos dias. Estamos aqui para lembrar a carreira de um ícone do rock nacional que marcou as últimas décadas e que criou um legado que vai muito além da abertura da novela Malhação. Quem nunca cantou o verso da canção Te Levar?
Chorão nasceu em São Paulo, mas mudou-se para Santos aos 17 anos e acolheu até o time da cidade como uma de suas paixões, ao lado da música e do skate. E foi com o clima litorâneo de plano de fundo que Chorão se reuniu com Renato Pelado, Champignon e Tiago Castanho para fundar o Charlie Brown Jr., em 1992. Ao longo da sua existência, a banda trocou várias vezes de formação, mas o vocalista sempre esteve lá, com um temperamento explosivo e uma habilidade assustadora de contagiar o público. Isso sem mencionar sua qualidade como letrista. Suas criações conseguiam expor os mais variados sentimentos de toda uma geração. Desde suas paixões, passando pelas inúmeras dúvidas e questionamentos. Claro que não esqueceríamos de citar as letras repletas de fúria, mas bem equilibradas com um humor ácido e inteligente. Isso, somado a um skate rock de qualidade inauguraram o estilo nas rádios brasileiras, quebrando o preconceito existente com o gênero, que usava e abusava de traços do hip-hop.
Durante toda a carreira, o Charlie Brown Jr. vendeu mais de cinco milhões de discos e gravou nove discos de estúdio, desde Transpiração Contínua Prolongada, de 1997, a Camisa 10 (Joga Bola Até na Chuva), de 2009, e que rendeu ao grupo o segundo Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock Brasileiro. O primeiro foi conquistado em 2004, com o álbum Tâmo Aí na Atividade. Eles também são pentacampeões do VMB, da MTV. Durante sua carreira, Chorão colecionou inúmeras discussões com outros músicos. Na mais famosa delas, em 2004, ele saiu na mão com o então vocalista do Los Hermanos, Marcelo Camelo, que terminou com o nariz quebrado.
Entre os maiores sucessos da banda estão Proibida Pra Mim (Grazon), Tudo o que Ela Gosta de Escutar, Zóio de Lula, Te Levar, Hoje Eu Acordei Feliz, Papo Reto (Prazer é Sexo, o Resto é Negócio), dentre outros.
Chorão e sua banda estiveram em Franca pela última vez há três meses, no dia 8 de dezembro de 2012. A galera se apresentou no salão nobre do Castelinho que ficou lotado.
COMOÇÃO E ÚLTIMA MÚSICA
Assim que a notícia foi se espalhando, milhares de fãs e simpatizantes usaram as redes sociais para expressar o que sentiam. Logo o nome de Chorão chegou ao topo dos Trending Topics do Twitter no Brasil e chegou a figurar os assuntos mais comentados no microblog em âmbito mundial.
Com a disseminação do luto, vazou na rede a música Meu Novo Mundo, que seria o novo single do Charlie Brown Jr. E é com uma frase de um dos últimos trabalhos de Chorão que encerramos este triste Se Liga.
“Como se o silêncio dissesse tudo, o sentimento bom que me leva pro teu mundo.
A vontade de te ver já é maior que tudo, não existe distâncias no meu novo mundo”.