11 de julho de 2026

‘O Navio Negreiro’: do teatro para o Guinness; no Teatro Municipal


| Tempo de leitura: 2 min

Entra em cartaz nesta quinta-feira, com sessões às 9h00 e 20h00, no Teatro Municipal, a peça O Navio Negreiro, produzida e encenada por Vado. Há mais de 40 anos interpretando o monólogo que se baseia no poema homônimo de Castro Alves, o ator conseguiu bater dois recordes e garantir o seu nome no Guinness Book 2013. Foram mais de 10 mil apresentações contabilizadas e provadas através de registros em jornais e documentos antigos. “Estreei com O Navio Negreiro em 17 de outubro de 1971 no Andorinha, de Campinas. Depois disso percorri o mundo. No Brasil, já me apresentei no ginásio do Gigantinho (Porto Alegre-RS) e em estádios como o Maracanãzinho (Rio de Janeiro-Capital)”, lembra o artista que, na peça, interpreta 16 personagens. O roteiro, adaptado pelo próprio, divide a obra de Castro em seis atos que rendem, em média, 100 minutos de apresentação.

Na tarde da última terça-feira, Vado conversou com o Comércio no Teatro Municipal. Nos braços, uma maleta e os dois certificados que recebeu da organização do Guiness. “Deu muito trabalho separar em meus amontoados, jornais e provas para entrar no Guiness”, avisou.

Com o sorriso fácil e fala ininterrupta, Vado lembrou dos tempos em que jogou futebol (no Guarani F.C e Ituiutaba), de quando atuou (pequena ‘ponta’) na primeira versão da novela Irmãos Coragem, dos filmes para o cinema, de Hair - musical em que participou na Broadway - e de seu contato com Chico Xavier. Esse encontro com o líder espiritual, Vado tem como divisor de águas em sua carreira. “Eu lia e interpretava Castro Alves, mas não entendia todas as suas palavras de sua obra. Procurei por Chico Xavier e ele me pôs em contato com o poeta” disse com voz embargada e olhos marejados. “Castro Alves se revelou a mim. ‘E ri-se a orquestra irônica, estridente... E da ronda fantástica a serpente, faz doudas espirais.’ Eu não entendia a profundidade disso no poema; A orquestra irônica e estridente era o som do meu povo gritando nos porões dos navios negreiros. O vento, o mar, tudo compunha esta irônica orquestra. A ‘ronda’ eram os algozes que, ao ouvirem os gritos de fome e dor, desciam para açoitar meu povo com a ‘serpente’. Antes que estralasse na carne, o chicote, ao alto, movimentava-se em espirais. Isso, o próprio poeta revelou a mim.”.

SERVIÇO
O Navio Negreiro
Data: 7 e 8 de março
Horário: Às 9h00 e 20 horas
Local: Teatro Municipal “José Ciryno Goulart” - av. Sete de Setembro, 455
Entrada: Noite - R$ 20 (inteira) R$ 10 (meia) / Manhã - R$ 7