10 de julho de 2026

Câmara blinda secretário e tenta sepultar polêmica da praça Zumbi


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O secretário de Serviços e Meio Ambiente, Ismar Tavares, se sentiu em casa durante audiência na Câmara: duas perguntas e nenhum aperto

A Câmara Municipal perdeu uma grande oportunidade de esclarecer as dúvidas existentes sobre a origem do material usado na construção da Praça Zumbi dos Palmares e sobre a aparente falta de controle das ações desenvolvidas pela Secretaria de Serviços e Meio Ambiente. O Ministério Público investiga a denúncia de que terra com restos mortais tenha sido usada na obra.

O secretário Ismar Tavares foi ao plenário dar explicações aos vereadores ontem. No lugar de perguntas, afagos e elogios ao trabalho que ele desenvolve. As únicas críticas foram feitas à Promotoria. Nem Ismar esperava uma recepção tão calorosa.

Dos 15 vereadores que formam a atual legislatura, apenas Márcio do Flórida (PT) fez perguntas ao secretário. Ele quis saber de onde saiu a terra usada na compactação da praça e se a Secretaria fiscalizava o transporte. Ismar disse que o material teria saído das regiões do City Petrópolis e do Jardim Aeroporto. Afirmou ainda que um processo administrativo interno apura se houve irregularidade no transporte. Foi só. Nada mais o secretário disse sobre o tema, nem foi perguntado.

Autor do requerimento propondo a convocação, Luiz Vergara (PSB) não fez questionamentos. Disse que suas dúvidas foram esclarecidas na entrevista que o secretário deu ao Comércio ontem. “Eram as perguntas que eu iria fazer. Me dou por satisfeito”, disse. Outros cinco vereadores falaram em seguida.

Ou elogiaram Ismar Tavares ou pediram que novas praças fossem feitas em bairros diversos. “Trabalhamos juntos. O cumprimento pela firmeza, pela conduta e profissionalismo adotados”, disse Valéria Marson (PSDB), que era a chefe de Ismar na Secretaria.

Entrevistada pelo Comércio, ela disse que já havia deixado a pasta quando a praça foi aterrada e que só tomou conhecimento do caso após as denúncias terem sido reveladas pelo jornal.

O presidente da Câmara, Jépy Pereira (PSDB), admitiu que os colegas não iriam conseguir desenterrar nenhum osso, ou melhor, tirar alguma informação relevante do secretário. “Se vocês querem que ele vá dizer que foi terra de cemitério [para a praça], ele não vai dizer. Ainda está sendo apurado. Não temos poder de obrigar a falar. Ele não vai dizer nunca.”

Além de advogar em prol do depoente, Jépy fez críticas à Promotoria. “Alguns membros do Ministério Público têm mania de condenar para, depois, investigar. Tanto é que um promotor sofreu revés do Judiciário e sentiu na pele o que é fazer denúncias sem ter provas contundentes.”

Quando a participação de Ismar Tavares completava uma hora, o presidente encerrou a sessão e não admitiu mais perguntas. Enquanto o secretário deixava o plenário com a certeza de que o script foi cumprido à risca, só restou a Márcio do Flórida lamentar. “Tentamos fazer questionamentos, mas houve, claramente, uma estratégia da base aliada de dificultar nossa participação. Infelizmente, as dúvidas permanecem.”

Confira alguns cliques da sessão de ontem: