O secretário municipal de Serviços e Meio Ambiente, Ismar Tavares, nega ter dado a ordem para o suposto uso de terra do cemitério Santo Agostinho na praça Zumbi dos Palmares. Ontem ele falou pela primeira vez sobre o caso. Hoje, ele dará explicações na Câmara.
Comércio - A convocação para prestar depoimento na Câmara preocupa o senhor?
Ismar Tavares - Tudo preocupa. A gente tem que ter muita precaução com o que vai fazer ou falar. Já elaboramos um relatório completo para mostrar aos vereadores sobre os processos legais referentes à obra do Zumbi dos Palmares.
Comércio - Tem ou não terra do cemitério na praça?
Ismar Tavares - Não tenho como afirmar. Estamos fazendo um levantamento preliminar e conversado com as pessoas. Nada foi comprovado ainda. Há dois processos em andamento, um na Promotoria e outro na Prefeitura, para apurar os fatos. As pessoas serão chamadas para dar esclarecimento. Dependendo do que acontecer, vamos tomar as providências legais.
Comércio - O senhor deu ordem para que a terra do cemitério fosse levada para a praça?
Ismar Tavares - Não, não foi dada nenhuma ordem neste sentido. Tenho minha consciência tranquila. As ordens que foram passadas eram para que os procedimentos fossem feitos da forma devida. Se alguém fez algum procedimento ou tomou alguma decisão contrária, eu não tenho conhecimento. Abrimos os procedimentos internos para a devida apuração. Eu mesmo quero saber se fez, quem fez e de quem partiu a ordem ou se é apenas um comentário maldoso.
Comércio - Qual era a orientação? Para onde a terra deveria ser levada?
Ismar Tavares - Durante as exumações, os restos mortais foram armazenados nos ossários do cemitério. A determinação era para que toda a terra, resto de caixões, panos e madeiras fossem para o aterro sanitário.
Comércio - O que tem a dizer em relação à denúncia de que um servidor teria ganho um cargo comissionado e o direito de morar em uma casa do município para não divulgar fotos que comprovariam aterramento da praça com material do cemitério. O senhor foi mesmo chantageado?
Ismar Tavares - Certas coisas acontecem e as pessoas imaginam outras. Não fui chantageado desta forma. Não aconteceu isto. Mudanças foram feitas, mas por gestão profissional. Não aconteceu isso. Nunca vi fotos da praça como as pessoas estão falando.
Comércio - Se o senhor não deu ordem para levar a terra do cemitério para a praça, não foi chantageado e abriu apuração interna para investigar os fatos, por que se recusou a falar e ficou em silêncio este tempo todo?
Ismar Tavares - Tenho esta característica de me resguardar diante de certas coisas que acontecem na vida da gente. Isso é importante para aumentar a capacidade de conhecimento e saber o que está acontecendo para poder pronunciar. Seria muito imprudente e, talvez, até leviano falar sobre algo que não sei, que não tenho certeza. Estamos mexendo com diversos fatos e pessoas. A prudência falou mais alto para mim.