No setor calçadista, que emprega quase 30 mil pessoas em Franca, também há exemplos de trabalhadores com “cadeira cativa” nas indústrias. O supervisor de pesponto Pedro Raimundo Santos, 47, é um funcionário “das antigas”. Ele trabalha na Calçados MBC há 23 anos. Começou como pespontador e foi promovido para o cargo atual há cerca de dez anos. Santos se sente realizado trabalhando na firma. “Gosto de fazer parte do processo de crescimento da empresa. Quando comecei, ela produzia 200 a 240 pares por dia. Hoje, são 900, que chegam a mil no final do ano”, conta. O supervisor também aprecia ensinar o ofício a aprendizes, graças a um programa criado pela própria empresa. Santos estima que 80% dos cerca de 140 funcionários passaram pelo processo de aprendizagem.
No entanto, há um aspecto que o enche de orgulho mais do que qualquer outro. “É a confiança que os diretores tem na gente. Eles deixam a chave na mão da gente, para abrir e fechar a fábrica. Isso é muito importante.”