08 de julho de 2026

Bons exemplos


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2, ao jurarem que o nosso mundo está ‘de pernas pro ar’. Ainda bem que há discordantes, porque causa estranheza entre muitos o conhecimento da atitude de quem obriga um filho a reparar erro que cometeu e resultou em prejuízo para alguém.

Conta Rosely Sayão, no caderno ‘Equilíbrio’, da Folha de S. Paulo, edição de 18/12/2012, que a mãe de uma aluna de escola estadual foi chamada à Diretoria porque sua filha havia pichado o muro daquela unidade educacional. Ao tomar conhecimento, a mãe não hesitou em obrigar a filha a repintar.

O fato ocorreu em Boa Vista, capital do estado de Roraima, mas a atitude daquela mãe, ao mesmo tempo em que mostrou coerência com muitas opiniões sensatas, pode não ter correspondido a muitas outras, especialmente às daqueles pais que, vindos de educação já distorcida, não só se omitem ante a atitudes de seus filhos infratores, como os defendem perante educadores e autoridades.

Felizmente, no caso em apreço, vê-se que a mãe detém visão consentânea com a moral e os bons costumes, exigindo que sua filha se responsabilizasse pelo ato praticado, ao tempo em que evidenciava sua preocupação com a educação social e pública: ‘A escola é nossa, por isso temos o dever de cuidar bem dela’. Eis aí a conduta correta de uma verdadeira mãe e educadora. A infratora é sua filha, mas é, sobretudo, membro de uma sociedade. Trata-se de belo exemplo, que todos deveríamos imitar. Todavia, não é o que se vê na sociedade atual, na qual pais protegem em demasia os filhos, ou se omitem ante o seu intransferível compromisso.

Há que se considerar, por outro lado, que não é apenas a reprimenda que educa. O que, sobretudo, nos forja o caráter são os bons exemplos. Não adianta pretender transferir o processo educativo para terceiros.

Como diz Emmanuel, o sábio mentor espiritual de Chico Xavier: ‘O lar é a primeira escola’. Assim, é, em meio ao agrupamento familiar, que se transfere aos descendentes o conteúdo ‘cultural’ de que os pais são detentores.

E ‘cultura’, aqui, não quer dizer conhecimento escolar, mas, antropologicamente considerada, é tudo que o ser humano conhece, adapta, melhora, acredita, inventa, usa, para tornar sua vida melhor, e, acima de tudo, sobrepor-se às sombras da irracionalidade.

Estamos vendo, a cada dia, aumentar o consumo de drogas, demais viciações correlatas e a consequente violência.

E esse processo deletério tem uma das suas causas nos maus exemplos dos adultos, entre eles, pais, educadores e até autoridades, muitos desastradamente difundidos pela mídia.

Portanto, nessa ‘cultura’ social deveria acomodar-se, necessariamente, a disposição humana de assumir por inteiro o comando do grupo familiar, ensinando e, especialmente, exemplificando à luz dos valores morais.

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca