O mandato do vereador e radialista de Pedregulho Juarez da Silva Campos, 58, pode estar com os dias contados. Eleito na última eleição municipal pelo PT (Partido dos Trabalhadores) com 230 votos, Campos corre o risco de ter de deixar sua cadeira na Câmara em razão de uma condenação por calúnia (crime contra a honra). Julgada em 1ª Instância, a ação condenou Campos à suspensão dos direitos políticos por ter denegrido a imagem da vítima durante seu programa de rádio. A suspensão, segundo o processo, vale até a comunicação da extinção da pena, estabelecida como prestação de serviços à comunidade.
Segundo o promotor de Justiça de Pedregulho, Alex Facciolo Pires, o pedido para que o juiz da Comarca, Luiz Gustavo Giuntini de Rezende, oficialize a presidência da Câmara para a retirada do mandato do vereador já foi feito. A previsão é que o pedido seja executado nesta próxima semana.
O promotor também solicitou ao juiz que faça a comunicação ao Tribunal Regional Eleitoral do Estado de São Paulo para que Campos perda o direito de votar e ser votado. A comunicação ocorreu na semana passada. “A perda do cargo é automática e assim que a Câmara for oficializada, o presidente com certeza irá informá-lo da perda do mandato”, disse Pires.
Pires não soube informar quem foi a vítima da calúnia de Campos e a reportagem não conseguiu ter acesso ao processo. O vereador acredita que o envolvido na ação seja um secretário de um sindicato da cidade. “Estão cessando a minha liberdade de imprensa, não posso fazer nenhum comentário sobre a cidade, políticos ou a polícia.”
Até ontem, Campos ainda não havia sido comunicado das decisões. “Continuo como vereador, inclusive fui convocado para comparecer a uma reunião de trabalho.” Desde que assumiu seu primeiro mandato este ano, participou de quatro reuniões ordinárias na Câmara, a última ocorreu no dia 21 de fevereiro.
Para ele, a suspensão dos direitos políticos é “injusta” e fruto de uma “perseguição” por parte de Rezende. “Ele tem uma antipatia por mim, não há outro motivo. Não devo, não roubei e não sou corrupto”, disse o vereador.
Procurado, o juiz Luiz Gustavo Giuntini de Rezende não atendeu a reportagem. Segundo informações dos funcionários do Fórum de Pedregulho, o juiz não concede entrevistas.
HISTÓRICO
Em agosto de 2011, o juiz Luiz Gustavo Giuntini de Rezende, do Jecrim (Juizado Especial Cível e Criminal) de Pedregulho chegou a proibir Campos de levar ao ar programas depois de ter noticiado a indisponibilidade dos bens do vice-prefeito da cidade na época, Paulo Eduardo Jorge (PSDB). Campos recorreu e conseguiu em Franca uma liminar permitindo seu retorno ao ar.
Já no mês de março do ano passado, a rádio comunitária onde Campos trabalha foi parcialmente destruída por um incêndio. Na ocasião, a polícia afirmou que a ação poderia ter sido criminosa. Também havia suspeitas de motivação política.