Houve tempos em que as madrugadas eram mais românticas e tranquilas, momentos ideais para uma boa prosa, serenatas ou namoros. Tempos em que a lua emprestava-se em sua serena luminosidade, os jovens a aproveitavam de forma mais discreta e as crianças apenas sonhavam com ela, já aninhadas em seus quartos de dormir. Parece, porém, que esses tempos já vão longe. Cenas que antes só assistíamos pela televisão, que pensávamos possíveis somente nos morros cariocas ou na periferia paulistana, agora já se apresentam em nossas ruas nas cores mais vivas de uma dura realidade que imaginávamos longe de nós.
É o ‘pancadão’ que bate forte nas ruas do Distrito Industrial, com seu funk estridente e exagerado, meninas exibindo seus corpos e imbecis e adolescentes e crianças consumindo drogas e álcool a céu aberto, sem a menor preocupação com as normas que regulam a vida em sociedade. Jovens que à luz do dia se escondem no anonimato do trabalho ou da escola, mas que na penumbra da noite resolvem desafiar todo o status social com a irreverência que lhes é particular.
Denunciada pelo Comércio no último domingo, 24/02, essa cena invadiu o descanso dos francanos e com certeza incomodou a todos que se preocupam com o futuro da cidade e de sua juventude. O que fazer com tudo isso? O que está acontecendo com a sociedade? Aonde vamos chegar com isso? Essas e várias outras perguntas devem ter provocado muitas discussões durante o almoço, a tarde de domingo e todo o resto da semana.
No entanto, dificilmente alguém deve ter chegado a alguma conclusão. Simplesmente condenar o consumo de álcool e drogas entre adolescentes apenas não resolveria nada, até porque esse problema sempre ocorreu na sociedade. O agravante agora é que está fora de controle, alcançando inclusive crianças.
E o momento parece mesmo de confronto. Mas o pior é que todos estavam respondendo a essas provocações com uma paralisia e um silêncio exagerados, quase sem nenhuma reação. A sociedade se escandaliza, mas fecha os olhos. A Promotoria afirma não poder agir enquanto a polícia não fiscalizar e descobrir quem está vendendo as drogas e o álcool. A polícia, por sua vez, tão empenhada em multar e prender adultos depois de dois ou três copos de cerveja, afirmava estar de mãos atadas diante de adolescentes e até crianças fumando maconha ou ingerindo álcool a céu aberto. Está prevista para essa sexta-feira uma ação efetiva das autoridades para coibir situações como essa. Vamos ver o resultado. Mas o fato é que a sociedade parece engessada em sua própria inação. Já passou da hora de começar a agir com mais firmeza, tanto no plano social como na esfera policial. Se por um lado é preciso educação e conscientização, por outro também é necessário fazer valer a lei e a ordem, doa a quem doer.