20 de março de 2026

Como irmãos...


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Saldanha Marinho, poucos quarteirões abaixo da Igreja Nossa Senhora da Conceição, que nem Catedral era...

Fim da rua, onde os limites da cidade calçada com paralelepípedo se confundiam com ruas esburacadas e poeirentas – um desastre quando chovia. O que chamamos hoje de periferia ficava, nessa ocasião, a quatro quadras do centro da cidade marcado pela praça e pela Igreja. Sem Casas Pernambucanas.

Os moradores do bairro eram poucos. Entre outros, dona Elza e sr. Adhemar – pais do Mazo (Adhemar Filho) e da Fernanda. Sr. Fábio, dona Zilá e Fabinho (casa depois ocupada por dona Irmalda Pucci e filhas: Eda Pucci – a moça mais bonita da cidade, título que sr. Bento (também vizinho) e meu pai lhe deram – e Margarida, professora de piano. Sr. Godinho e irmã. Sr. Astor de Freitas e dona Júlia, com seus catorze filhos – na casa onde moraram depois Marcos Faleiros, Jane, pais e irmãos. Dona Dalva, o sizudo marido, a tímida filha Wilma e o Roberto, que a gente chamava de Roberto da dona Dalva. Sr. Tatão, esposa e filha Eny. De moçada ou meninada tinha, ainda, José Rubens e Mercedes e os meninos da dona Tita, que moravam na casa ao lado do casarão da Chácara do Raul Borges, casa que hospedava todos os anos a carioca Cláudia Dourado – que mais tarde se casaria com meu primo Ernani Maníglia – que vinha diretamente do Rio para saborear maravilhosas jabuticabas de meia dúzia de árvores selecionadas no pomar que nem o
Papa poderia tocar, mesmo se quisesse: dona Tita as defendia, quase lustrava frutinha por frutinha. As demais árvores ficavam à disposição da molecada e dos adultos da vizinhança – jabuticabeiras, goiabeiras, mangueiras, abacateiros, mamoeiros. O córrego dos Bagres, lá embaixo, no buracão, servia de piscina e de pesqueiro. Tinha, à margem, ipê rosa maravilhoso, sob o qual fazíamos piquenique.

Fizeram infraestrutura ali: encanamento, calçadas, pavimentação. O bairro ficou pertinho do centro, descobrimos que a senhora que morava na única casa com calçada de pedra não era bruxa que fazia a gente cair: nós é que não sabíamos andar sobre calçadas pavimentadas. Aprendemos sobre amizade que continua, independente da própria morte de quem ensinou a amar e considerar o próximo como a si mesmo, como era o caso das vizinhas do bairro, em especial de dona Elza e minha mãe Clara: cúmplices, amigas confidentes, companheiras, partícipes da vida uma da outra. Amigas. Solidárias.

Encontrar e abraçar Mazo e Carmen Rodrigues Alves; Fernanda e Paulo Fernando Seixas é como abraçar meus irmãos, ainda que hoje nossas casas fiquem muito distantes – quilômetros – umas das outras. Estar com eles é como voltar à infância, quando jamais poderíamos pensar que a morte atropelaria a vida dos jovens que tanto amamos. É através da evocação daquela cumplicidade, carinho, amizade e amor que aprendemos com nossos pais que hoje eu os abraço, mais uma vez.

FRASES
Agildo Ribeiro: ‘A preocupação é uma ave que às vezes pousa na nossa cabeça. É fundamental não deixar que ela faça ninho ali.’ Renato Aragão: ‘As pessoas não gostavam do meu programa, e zombavam de mim até Carlos Drummond de Andrade recusar uma entrevista e justificar-se com os jornalistas dizendo que estava assistindo aos Trapalhões. Foi esse o começo do nosso sucesso.’ Steve Jobs: ‘Seu trabalho vai ocupar uma grande parte de sua vida e a única maneira de você ter um ótimo trabalho é fazer o que você ama fazer. Se ainda não encontrou, continue procurando.’

CARTAZ
‘O cartaz comemorativo dos dez anos do PT no poder dá um arrepio na espinha por sua estética totalitária. Qualquer um, mesmo simpatizante de Lula e Dilma, percebe a semelhança com peças de propaganda soviética e chinesa. O cartaz estimula a idolatria, apela ao nacionalismo e ao populismo extremados. Não faz jus ao Brasil de hoje nem, espero, ao de 2014.’ (Ruth de Aquino, revista Época - 26 de fevereiro de 2013). Exagero? Basta olhar as fotos dos cartazes onde estão Lênin, Stalin, Marx e Engels.

DEZ...
Frases de filmes. The pursuit of happiness: ‘Se você tem um sonho, deve protegê-lo.’ Constantine: ‘Você pode não acreditar em diabo, mas ele acredita em você.’ The mummy returns: ‘A morte é só o princípio’. Tara Road: ‘A melhor maneira de se encontrar é se perder na vida de alguém.’ How to lose a guy in 10 days: ‘Não se perde o que nunca se teve.’ Dare Devil: ‘Às vezes é preciso ter fé.’ Última Chance: ‘Aprendi três coisas na vida – não deixar escapar a oportunidade de fazer xixi; nunca postergar uma trepada; jamais confiar num pum.’ O Poderoso Chefão: ‘Nosso destino nem sempre vem na hora que desejamos.’ Um amor para recordar: ‘O amor é como o vento – você não vê, mas sente.’ Avatar: ‘Às vezes a vida se resume em apenas um ato de insanidade.’

UNIVERSIDADE
Medicina, Odontologia, Direito, Engenharia: lembra disso? Cursos que polarizavam a atenção dos jovens e promissores estudantes em busca de futuro. Chegou o novo milênio e com ele a novidade e valorização de cursos que formam técnicos. Curso Tecnólogo de Produção Sucroalcooleira: já ouviu falar? Forma profissionais e, por extensão, pesquisadores na área de açúcar e álcool. Engenharia Mecatrônica. Gestão Ambiental. Tais cursos (e outros) habilitam profissionais do futuro. Estão disponíveis em Franca.

Lúcia Helena Maniglia Brigagão
Jornalista, publicitária e membro da Academia Francana de Letras - luciahelena@comerciodafranca.com.br