Servidor teria feito chantagem para não revelar restos mortais na Zumbi dos Palmares
O ditado popular “neste angu tem caroço” pode ser adaptado para “nesta praça tem osso”. O silêncio do secretário Ismar Tavares sobre a polêmica da terra usada na construção da Praça Zumbi dos Palmares não é por acaso. O buraco é bem mais embaixo do que se imagina. O caso envolve acusações e chantagens. A estratégia da Prefeitura era aguardar o resultado de laudos para dizer que não há contaminação. Contaminação pode até não haver mas será muito difícil o município comprovar que restos mortais não foram jogados no local. De repente, pode sobrar até para vereador. Não por acaso, a base governista se desesperou ao ver que a convocação de Tavares para dar explicação no plenário foi aprovada pela Câmara.
Um servidor do município com nome de rei teria feito fotos da desova da terra do Cemitério Santo Agostinho com ossos na praça. Ele ameaçou divulgar o material. Uma fonte ouvida pela coluna afirma que o funcionário mudou de ideia após ganhar cargo comissionado e o direito de morar em uma casa da Prefeitura. Oficialmente, a administração nega veemente que tenha sido chantageada. Também não admite ter oferecido benefícios em troca do silêncio.
Verídica ou não, a história é de conhecimento na Câmara e deverá ser explorada durante o depoimento de Ismar. Márcio do Flórida (PT) já requisitou a relação de todos os ocupantes de cargo em comissão no município desde 2007 para fazer a confrontação e ver se o nome bate. Por outro lado, pelo menos um vereador governista ouviu relatos de outro servidor garantindo que crânios foram encontrados quando o terreno da praça foi perfurado para a instalação de postes. Se ele vai ter coragem de confirmar no plenário é outra história.
A bancada do PSDB trabalhava nos bastidores para tentar evitar que Ismar fosse obrigado a se explicar na Câmara. No máximo, concordaria que ele falasse em sala fechada. A intenção era evitar desgaste e respingos em colegas. A Praça Zumbi dos Palmares começou a ser construída em julho de 2006 e foi entregue em novembro de 2007. A atual vereadora, Valéria Marson (PSDB), era secretária de Serviços no período. Comandou a pasta entre 2005 e meados de 2007. Ismar era coordenador.
A aprovação da convocação do hoje secretário para explicar se restos mortais foram jogados na praça, e de quem partiu a ordem, pegou a base aliada de surpresa. Líder do governo, Adérmis Marini (PSDB) não acreditou quando foi informado por este colunista. Foi checar com colegas e com a advogada da Câmara. Só se convenceu quando assistiu à gravação da sessão na sala de informática já no período da tarde. A correria foi geral.
Ontem, vereadores governistas conversaram para buscar uma estratégia para tentar minimizar a exposição de Ismar no plenário. É provável que evitem perguntas e deixem a missão para Luiz Vergara (PSB) e Márcio do Flórida. A Câmara espera que o secretário fale já na próxima sessão.
DENÚNCIA
As atenções estão voltadas para o zumbi, mas outro ponto mais famoso e tradicional de Franca também abriga restos mortais. O primeiro cemitério da cidade ficava na Praça Nossa Senhora da Conceição, próximo da fonte luminosa. Foi construído em 1805 e se estendia em torno da Igreja Matriz. Assim, acreditava-se que os mortos ficavam mais próximos do alcance divino. Em 1855, o reverendo Joaquim Ferreira Teles benzeu área para o novo campo santo. Foi quando começou a história do Cemitério da Saudade.
NATIMORTO
A Câmara criou terça-feira, comissão para acompanhar as obras do viaduto da Major Nicácio. Perda de tempo. Depois de constantes atrasos, a entrega está prevista para março.
IMAGINA NA COPA
Nove vereadores foram ontem à Prefeitura para acompanhar o ato de autorização de abertura de licitação para construção da nova sede da Ciretran. Todos discursaram e elogiaram uma obra que, sequer, tem data para começar. Fico imaginando como será quando o viaduto for inaugurado.
ASSISTENCIALISMO
Mulher com criança no colo e várias contas de água e luz vencidas foi à Câmara terça-feira. Abordou, praticamente, todos os vereadores. Parte deu dinheiro para ajudar a pagar. Teve um que ficou com o boleto e se encarregou de quitar o débito. Não é para isto que foram eleitos, senhores parlamentares.
NÃO É POR NADA, NÃO!
Fui a um almoço beneficente na Chácara Sorriso, entidade que cuida de cerca de 50 menores abandonados pelas famílias, em setembro do ano passado. Faltava uma semana para as eleições municipais. Ubiali, Gilson Pelizaro e Graciela Ambrósio, que disputavam a Prefeitura, e quase uma dezena de candidatos a vereadores lotaram o salão. A maioria não economizou nos arremates. No último domingo, ocorreu nova edição do evento. Nenhum político deu as caras. O leiloeiro Laércinho (PP) teve trabalho para desencalhar as prendas.
ALCKMIN
Está previsto para ser publicada neste domingo a entrevista exclusiva que Corrêa Neves Júnior e eu fizemos com o governador Geraldo Alckmin no Palácio dos Bandeirantes. See you.
Edson Arantes
Jornalista – edson@comerciodafranca.com.br