Sou corintiano, mas sou favorável à eliminação do Corinthians da Taça Libertadores da América de 2013. Penso assim, pois não vejo outra forma de se acabar com a violência praticada por torcedores em estádios de futebol que não seja a eliminação do time do campeonato disputado.
O episódio da morte do garoto Kevin Espada, 14, em Oruro, na Bolívia no último dia 20 de fevereiro, é algo a ser exemplarmente punido para servir de divisor de águas no comportamento das torcidas nos estádios de futebol do Brasil e do mundo.
Tanto o torcedor que disparou o sinalizador quanto o clube devem sofrer consequências pelo ato abominável de se direcionar um artefato explosivo em direção à outra pessoa. Não há paixão que justifique tamanha insensatez.
Obviamente os fanáticos fiéis corintianos se perguntam: ‘O torcedor tudo bem, mas o clube? Por que o time merece ser punido?’ Por uma razão muito simples. Aqueles que são fanáticos só deixam de praticar barbaridades em nome desta paixão, se a consequência pelo ato praticado atingir justamente o bem ‘endeusado’. Aprendi com um professor de História que ‘o fanatismo leva à burrice’.
Ao se eliminar o atual campeão do torneio continental e do mundo em razão do ato de um torcedor, dificilmente os torcedores, sejam eles uniformizados ou não, deixarão qualquer torcedor/espectador apontar um foguete ou sinalizador em direção à torcida adversária em jogos futuros.
Em nome de um bem maior - o time - os próprios torcedores se autovigiarão.
Algo semelhante acontece com outros esportes. Afinal, por que não se invade a quadra do Pedrocão quando o árbitro erra em relação ao Franca Basquete? Porque aqueles que frequentam o ginásio sabem que se houver invasão o time será punido com a perda do direito de abrigar o jogo em seu ginásio.
Assim, há uma autovigilância informal, mas concreta, da parte dos próprios torcedores. A sensação de superpoder que é despertada quando se está em um grupo, cede espaço ao temor de sofrer represálias pelos próprios pares, no caso, torcedores do mesmo time.
Com a eliminação do Corinthians, imaginemos quanto o clube perderia financeiramente, e a torcida, emocionalmente, haja vista estar o time defendendo a conquista do ano passado.
Somente uma medida impactante como essa é capaz de dizer que há limites a serem respeitados, ainda que seja num estádio de futebol.
Carlos Gimenes
Servidor público estadual e ex-integrante do Conselho de Leitores do GCN