08 de julho de 2026

Condenações sem grades


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A sabedoria popular é algo vago, não resta dúvida. Nela não existe cientificidade ou estatísticas que possam provar plenamente suas máximas. No entanto, por sua força de convencimento e persuasão, e também por sua persistência no tempo, não existe quem lhe vire as costas totalmente.

Nesse sentido, infelizmente, ainda parece prevalecer a máxima contida na expressão ‘país da impunidade’, quando nos referimos ao Brasil que dificilmente leva poderosos ao banco dos réus.A última leva de julgamentos importantes - e que sim, levou poderosos a prestar contas - ainda não passou muito disso.

É imprescindível lembrar o mensalão, o julgamento em que o STF (Supremo Tribunal Federal) tentou passar a limpo o problema da corrupção que permeia há séculos a política brasileira, o chamado crime do colarinho branco, que todo mundo sabe que existe, mas ninguém consegue provar.

Depois de vários meses de muitos discursos pomposos e de muita teatralidade, características inerentes aos julgamentos mais midiáticos e significativos, vieram então esperadas condenações, que encheram de esperança os brasileiros mais crédulos em relação à justiça e ao próprio futuro do país.

Porém, a sequência dos fatos não pareceu assim tão contundente quanto os discursos, a pompa do julgamento e as próprias condenações. De concreto mesmo, quase nada foi feito e todos os condenados continuam tranquilamente livres, ricos e poderosos, até mesmo o pivô de todo o processo do mensalão, o publicitário Marcos Valério, condenado a mais de 40 anos de prisão, o que acaba deixando aquele sabor amargo da desconfiança em todos os brasileiros, como a confirmar que realmente somos o país da impunidade e que dificilmente vamos conseguir colocar um poderoso na cadeia.

Em segundo lugar, podemos mencionar o julgamento de Gil Rugai, acusado de matar o pai e a madrasta há quase 10 anos. Apesar de menos impactante que o mensalão para os desígnios do país, acabou tendo uma grande repercussão na mídia nessas últimas semanas. No final, porém, acabou trazendo a todos a mesma impressão amarga de impunidade que o mensalão e tantos outros julgamentos que envolvem personalidades políticas e pessoas mais abastadas. Mesmo condenado, Gil Rugai deixou o salão do júri pela porta da frente, como o benefício de poder recorrer da sentença em liberdade.

Sem querer entrar no mérito das razões legais que levaram a essas decisões tão frustrantes, uma vez que nossa Constituição é realmente um cipoal difícil de desenrolar, não há como negar que essas indefinições funcionam como um reforço ao imaginário popular.

No fundo, fica a impressão de que o primordial nisso tudo é ter um bom advogado, independentemente dos crimes cometidos, da justiça ou até mesmo da Constituição, o que infelizmente acaba manchando um pouco mais a imagem do Judiciário e da própria democracia.