08 de julho de 2026

Secretário de Serviços e Meio Ambiente terá que dar explicação


| Tempo de leitura: 2 min
O líder do governo na Câmara, Adérmis Marini (em pé à dir.), admitiu que faltou atenção para evitar que convocação do secretário de Serviços e Meio Ambiente, Ismar Tavares, fosse aprovada: ‘Foi um vacilo da base, principalmente, meu’

Quem imaginava que o rolo compressor do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) fosse ignorar os obstáculos e engolir a oposição na Câmara teve uma grande surpresa ontem. A oitava sessão do ano ficará marcada como o dia em que um voto valeu mais do que 14. Um vacilo da base de apoio ao governo municipal fez com que o plenário aprovasse a convocação do secretário de Serviços e Meio Ambiente, Ismar Tavares, para dar explicações no Poder Legislativo sobre a terra usada na construção da praça Zumbi dos Palmares. Há denúncia de que tenha sido aproveitado material descartado do cemitério Santo Agostinho.

Desde que o Comércio revelou, dia 10 de fevereiro, a investigação aberta pelo Ministério Público para apurar o suposto uso de terra com resto mortais no aterramento da praça, Tavares vem se recusando a comentar o episódio. Há um esforço grande na Prefeitura para tentar abafar o caso e minimizar a polêmica até a conclusão do inquérito. Aparentemente, os vereadores governistas não foram avisados de que o tema é delicado. Também não devem ter lido as reportagens alertando que a sessão de ontem seria indigesta.

Cumprindo o que havia prometido, Luiz Vergara (PSB) apresentou um requerimento para que Ismar Tavares quebre o silêncio e diga se tem ou não terra de cemitério na praça Zumbi dos Palmares. O normal seria que algum vereador da base pedisse discussão. Neste caso, a proposta seria remetida para a Ordem do Dia da sessão seguinte. Poderia facilmente ser rejeitada com simples argumento. Como o de que o Ministério Público já apura o caso. Não foi o que aconteceu.

Os vereadores de apoio ao prefeito ficaram calados. A oposição, evidentemente, se fingiu de árvore. Como ninguém se manifestou, o pedido de convocação foi aprovado. A derrapada da base terá o seu preço.

Com a decisão, Ismar Tavares terá oito dias, a partir da notificação, para prestar as informações pessoalmente. Ele ficará sujeito a implicações caso se mantenha em silêncio. “A Lei Orgânica do Município prevê que, no caso de ausência sem justificação adequada ou prestação de informações falsas, a pessoa responderá por crime contra a administração pública”, alertou Luiz Vergara.

Líder do governo na Câmara, Adérmis Marini (PSDB) admitiu que faltou atenção. “Foi um vacilo da base, principalmente, meu. Estou em começo de mandato e não vejo problema em reconhecer que a gente ainda não domina algumas artimanhas que acontecem na Câmara. O Vergara soube o momento de apresentar e está aprovado.”

Apesar de haver um movimento interno para que as explicações fossem dadas em uma sala fechada, o vereador tucano disse não ver problemas no fato de o secretário ter que falar em público no plenário. “O que tem pautado a administração do Alexandre é a transparência. O Ismar deve vir e apresentar os esclarecimentos sem problema.”

Não bastasse a convocação do secretário, a Câmara também aprovou pedido de Márcio do Flórida (PT) para que o prefeito informe quando e como foi aterrada a praça, além de esclarecer de quem partiu a ordem de serviço.