Ontem foi a vez da Polícia Militar prometer uma ação enérgica contra o “pancadão” da rua Vicente Richinho, no Distrito Industrial. Em entrevista à rádio Difusora AM, no programa Hora da Verdade, o capitão Cleotheos Sabino, comandante da 5ª Companhia de Polícia Militar - que abrange a região do Distrito - afirmou que a polícia planeja uma grande operação no local já no próximo fim de semana. Ainda segundo o capitão, os trabalhos devem persistir nas próximas semanas.
“Vamos tentar fazer a prevenção para que não ocorra aglomeração. Uma vez identificado o ponto, a polícia pode agir preventivamente. Você ocupa o espaço antes que ele seja ocupado por esses adolescentes”, disse Sabino, ao vivo na emissora. Uma reunião envolvendo outros órgãos de fiscalização deve ser realizada hoje, às 9 horas, no 15º Batalhão de Polícia Militar, para traçar diretrizes e metas da operação (leia texto ne apoio).
Sabino disse que, por conta do cronograma de policiamento de cada viatura, é difícil passar repetidas vezes em um mesmo local. Esse mapeamento é feito de acordo com o número de ocorrências. Outro fator que prejudica o trabalho na rua Vicente Richinho é o fato de a baderna ser suspensa temporariamente quando os policiais entram na rua. “No momento em que é feita a ronda, a polícia tem a característica de ser ostensiva, com sinais luminosos, fardamento. Nesse momento [que a viatura passa], crime algum ocorre, é apenas uma rua movimentada, não obstruída, com veículos parados regularmente e pessoas ao seu redor.”
Segundo o capitão da PM, o efetivo será aumentado. “A superioridade numérica é importante e é um fator de segurança para o policial. Estaremos com um efetivo destinado especificamente para esses pontos e, eventualmente, com policiais de folga”, afirmou.
DEBANDADA
A maior preocupação da polícia é que o problema da Vicente Richinho se espalhe para outros pontos do município. Sabino lembrou das confusões do posto de combustíveis, também envolvendo menores, na entrada do Distrito Industrial, no ano passado. A PM agiu no local e, segundo o capitão, o problema se espalhou.
“Quando a polícia atua, esses jovens acabam migrando para outros locais. Essas cenas que vocês viram nas imagens [na reportagem publicada pelo Comércio no domingo] estavam acontecendo no entorno do posto Select, bem na avenida. Se houver esse evento migratório, a polícia vai atuar onde quer que esteja ocorrendo, porque não é uma situação normal”, finalizou o capitão.
O CASO
No último dia 15, o fotógrafo do Comércio Wilker Maia acompanhou, por cinco horas, a movimentação na rua Vicente Richinho. Ele flagrou o consumo de álcool e entorpecentes por adolescentes, meninas em danças eróticas ao som alto de funks e confusões entre os frequentadores do local.
À 1h50, a PM aparece, cerca de 40 minutos depois de chamada pelo dono de uma empresa da rua. A viatura liga o giroflex, aciona uma vez a sirene e vai se aproximando devagar. Os sons são desligados e os carros vão deixando a rua livre. Todas as pessoas ficam na calçada e abrem passagem para a viatura, que trafega pela via. Assim que a viatura chega ao final da rua, recomeça tudo.
A Polícia Militar é acionada mais uma vez pelo mesmo empresário, às 2 horas. Chega meia hora depois. Desta vez, em duas viaturas, mas o procedimento é o mesmo. E a festa continua.
Quando já são quatro horas, a polícia aparece com um efetivo maior. De um lado, ficam duas viaturas; do outro, quatro carros da PM fecham a rua, deixando apenas um caminho para o pessoal se dispersar. Em poucos minutos já não há mais ninguém na rua, além dos policiais. Eles permanecem no local por dez minutos. Formam um cordão de homens à frente das viaturas e andam livremente pela via, desta vez, vazia.