Você é dono do seu negócio ou é empresário? A pergunta pode parecer estranha à primeira vista, mas traz um conceito relativo à postura de quem se enquadra em uma ou outra nomenclatura e, acredite, faz diferença no dia a dia.
Podemos definir o dono do negócio como alguém conservador, com práticas antigas de gestão muitas vezes prejudiciais ao desenvolvimento da empresa. Por ser centralizador – tudo tem de passar por seu crivo – ele se envolve demais na parte operacional e deixa a estratégia em segundo plano. Frequentemente, esse comportamento está ligado à falta de estrutura da empresa. Não há gente suficiente para distribuir funções e, por necessidade, o dono do negócio simplesmente abraça tudo. Já o empresário, sabe delegar poderes. Deixa a parte operacional com os outros e se dedica a pensar a empresa como um todo.
Ele usa seu tempo para planejar estratégias que tragam mais resultados. O dono do negócio busca clientes para seus produtos ou serviços, enquanto o empresário procura por produtos ou serviços novos para seus clientes e está sempre atrás de atualizações.
Não raro, o dono do negócio dirige uma empresa familiar cujas contas se confundem com as pessoais, erro básico, mas comum. Sai do caixa da empresa o dinheiro para pagar fornecedores e para a mensalidade da escola dos filhos.
Outro agravante: ele não tem critério para contratar e recruta parentes, amigos ou pessoas indicadas que, muitas vezes, não reúnem condições técnicas de assumir o posto a elas designado. Se seguisse o velho conselho de não admitir hoje, ninguém que não pode demitir amanhã, certamente teria menos problemas. Imagine o transtorno de ver um filho, primo, irmão ou tio não darem conta do recado, e não ter como dispensar sem criar incidente diplomático em casa. Mas como um dono do negócio vira a mesa e se torna empresário? Com planejamento. Ele deve elaborar um plano com metas e prazos, ações de marketing, aprimoramento de processos, estudo das possibilidades financeiras e rearranjo de funcionários. Parte da estrutura atual para, gradativamente, melhorar seu empreendimento.
A própria meta pode ser levantar recursos para aumentar o quadro de pessoal, possibilitando delegar funções e aliviar sua rotina de tarefas operacionais.
Cada objetivo alcançado é um passo em direção a melhorias na gestão. Principalmente, esse empreendedor deve mudar sua atitude ao conduzir os negócios, ampliando a visão que tem sobre gestão. É aí que tudo começa.
O Sebrae-SP é uma instituição dedicada a ajudar micro e pequenas empresas a se desenvolverem e se tornarem fortes. Saiba mais em www.sebraesp.com.br
Bruno Caetano
Superintendente do Sebrae-SP, mestre e doutorando em Ciência Política pela USP