08 de julho de 2026

Creche a passos lentos


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No começo do século passado, os chamados pioneiros da educação nova lutavam por uma mudança radical na educação brasileira. Atuando em várias frentes, pretendiam expandir a educação básica para todos os brasileiros. Com seu texto, ‘Educação não é Privilégio’, Anísio Teixeira, um dos principais expoentes desse movimento, já expunha essa chaga secular de nossa estrutura educacional e clamava pela escola pública e gratuita para todas as crianças.

Quase um século depois, parece que ainda estamos nos esforçando para alcançar esse objetivo. Entra ano, sai ano, as vagas continuam insuficientes para colocar todas as crianças na escola, pelo menos no que diz respeito às creches. E a educação continua um privilégio, como protestava Anísio Teixeira, já que nem todos os cidadãos podem gastar de R$400 a R$600 para colocar o filho em uma escola particular, a despeito da lei que garante a toda a criança o direito de ser atendida em uma creche, e das promessas por mais unidades que também se repetem todos os anos, lentas e ineficazes.

Em março de 2011, a Prefeitura de Franca lançou o chamado ‘pacotaço da educação’, por meio do qual prometia o investimento na ampliação de 11 creches e na construção de mais nove, o que permitiria a abertura de mais 990 vagas. Na época, toda essa ampliação da estrutura ainda não seria suficiente para zerar o déficit, mas seria importante para atenuá-lo.

Porém, passados quase 24 meses, a falta de vagas em creches continua em alta e, consequentemente, voltou às manchetes do jornal. De nada adiantou a contratação de vagas em instituições de ensino particulares, uma decisão motivada por mais de 80 ações ganhas na Justiça no ano passado. O ‘pacotaço’, apesar de muito alardeado na época, mostrou-se na verdade um ‘pacotinho’, seja por falta de implementação ou mesmo por erro de planejamento. Segundo a própria Prefeitura, a fila de espera atual tinha mais de duas mil crianças até a semana passada e as reclamações no Conselho Tutelar em relação à falta de vagas aumentaram cerca de 30% em relação a 2012.

Nesse sentido, esperamos que a promessa de mais 10 unidades e 1,4 mil vagas para esse ano não seja como o ‘pacotaço’ de 2011, que infelizmente não vingou. Dessa vez, esperamos que a Prefeitura cumpra realmente o prometido, a despeito dos vários problemas enfrentados pelo município, da chegada de novos migrantes, do aumento populacional ou da falta de recursos, pois o que temos até agora é a certeza de que a educação no Brasil é sempre uma prioridade apenas no discurso, sobretudo às vésperas de eleições. Na prática, porém, continua bastante relegada. Se já não é mais um privilégio de poucos, tampouco é uma realidade para todos.