08 de julho de 2026

Despedida!


| Tempo de leitura: 5 min

Hoje é o último domingo do Pontificado de Bento XVI

Como todos ficaram surpresos com a sua decisão, também fiquei e, naturalmente, surgiu a pergunta básica: por quê? Nesses dias surgiram diversas opiniões e inúmeras especulações, até supostas acusações. Lendo e ouvindo o que se fala, fiquei pensando: como é difícil “aceitar” a posição de uma pessoa, sendo ou não sendo Papa, e como é fácil encontrar desculpas e opiniões para tudo mesmo que sejam infundadas.

Hoje a credibilidade das palavras e das pessoas passa por uma grande crise, talvez fruto da desvalorização de alguns princípios tão importantes, e então, duvidamos de tudo.

O Papa, de forma serena, apresentou as razões da sua renúncia, e logo surgiram especulações, pois, duvidaram de suas palavras.

Eu, pessoalmente, não valorizo homenagens, pois, normalmente têm interesses diversos. Entretanto, respeito quem oferece e quem gosta. Vejo isso em relação à decisão do Sumo Pontífice.

Agora se preocupam com o título que vai ele possuir, qual a cor da roupa que vai usar. Dizem que foi “por isso” ou “por aquilo” que renunciou; não sabem se foi amado ou traído, mas, se esquecem de enxergar seus valores! De forma muito humilde quero lembrar alguns pontos da sua vida e do seu ministério.

PARA NÃO ESQUECER
1 - Nasceu numa família muito católica – Afirmou que não passaram um dia em família sem o encontro para a oração, pais e filhos. Daí seu amor e preocupação em preservar os valores essenciais da família segundo o pensamento de Deus;
2 - Passou por grandes sofrimento – Enfrentou todos os dissabores do nazismo, mas sempre afirmou que nunca sentiu ausência de Deus. Portanto, é um ‘homem de fé’;
3 - Inteligente – Sempre dedicou-se com afinco aos estudos. De inteligência brilhante afirmam que quando começa a escrever, os pensamentos brotam não havendo necessidade de revisão;
4 - Oração – Em nenhum momento afastou-se do colóquio com Deus. Rezou a vida inteira e, como Papa, mais e mais foi fortalecido pela oração que pode tomar a decisão de renunciar ao pontificado. E disse que dedicará seu tempo para “rezar” pela Igreja, isto é, por nós;
5 - Cúria Romana – Com ela convive desde o Concílio Vaticano II que celebra 50 anos de existência. Por 25 anos esteve ao lado do Papa João Paulo II. Chamarem seus colaboradores mais próximos de “ardilosos” é tentar duvidar de sua sabedoria e inteligência;
6 - Livros, Discursos e Encíclicas – Através dos seus escritos revelou-se sempre preocupado com a primeira e grande missão da Igreja: ser essencialmente espiritual;
7 - Coragem – Enfrentou, de frente, os mais simples e os mais complicados problemas no mundo e na Igreja: fome e miséria, injustiças; guerras; ameaças; pedofilia;
8 - Pedofilia – Combateu duramente, não deixando de ser pastor. Muitas vezes, do modo como alguns se expressam, parece ter sido ele o propiciador ou causador. Ao contrário, sempre defendeu os prejudicados;
9 - A multidão – Em cada audiência, em cada celebração dentro ou fora de Roma, inclusive no Brasil, sempre foi cercado por multidão. Isso revela que a sua mensagem, direta e sem concessões, tem repercutido com força surpreendente;
10 - A Esperança – O ponto central da sua mensagem sempre foi a “esperança cristã” a partir de Cristo Ressuscitado! O Papa Bento XVI revelou sempre que não é a ciência que redime o homem, mas o homem é redimido pelo amor;
11 - Juventude – Iniciou seu pontificado com 78 anos de idade e termina um mês e meio antes de completar 86 anos. Pelo registro de nascimento é considerado idoso, mas pelo seu jeito de ser é possuidor das características de um jovem: firme, desafiador, esperançoso, idealista. E a juventude se identificou com o Papa e isso ficou muito evidente através das Jornadas Mundiais da Juventude – a próximo acontecerá em julho, no Rio de Janeiro, certamente com a presença do próximo Papa. Embora fisicamente ausente, Bento XVI acompanhará com seu carinho e com a força de sua oração. Os jovens entendem com facilidade os recados do Papa;
12 - O Ano da Fé – Ele nos deixará um grande legado e coroa com ouro tendo declarado o Ano da Fé expressando que para tudo é necessário “ter fé”. A fé é que sustenta a nossa atuação, o nosso silêncio, a nossa doação e a nossa confiança, pois, “cremos” em Deus. A fé nos encoraja e nos faz ser humildes;
13 - Renunciou – Em ter uma esposa, ter filhos, ganhar um excelente salário, à mediocridade; renunciou a horas de sono por horas de estudo, a ser só mais um padre, mas também renunciou ser um padre especial. Renunciou, tendo 85 anos, a estar aposentado, desfrutando de seus netos na comodidade de sua casa e no calor de uma lareira. Renunciou desfrutar de seu país. Renunciou a dias de folga, renunciou à vaidade; renunciou a defender-se contra os que o atacavam. Tudo isso e tantas outras coisas deixa claro que o Papa foi, em toda a sua vida, muito apegado à renúncia. Vivemos num mundo onde é engraçado zombar do Papa. Entretanto, Bento XVI demonstrou que é um Papa sábio.

OBRIGADO, PAPA BENTO XVI

Ele é um mártir contemporâneo, desses de quem que se pode inventar histórias, a esses que se pode caluniar e acusar à vontade. Fosse ele responder, o única coisa que faria seria pedir ‘Perdão’. Obrigado Papa Bento XVI. Desfrute da paz que só os que obedeceram a Deus podem ter. Teremos saudade de Vossa Santidade!

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br