09 de julho de 2026

Vereadores cobram Prefeitura sobre terra de cemitério em praça


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Márcio do Flórida diz que a população pressiona por resposta: “As acusações são muito graves.”

O fantasma que atormenta a Prefeitura sobre a construção da Praça Zumbi dos Palmares vai pautar a próxima sessão da Câmara Municipal que ocorre terça-feira. Pelo menos dois vereadores farão pedido formal para que o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) e o secretário de Meio Ambiente, Ismar Tavares, expliquem detalhes da polêmica obra.

Segundo denúncia apresentada ao Ministério Público, funcionários da Prefeitura teriam usado terra do cemitério Santo Agostinho, que à época realizava a exumação em mais de 250 túmulos, para aterrar a área da praça. A ordem teria partido de Ismar, então coordenador de serviços do município. O caso foi revelado com exclusividade pelo Comércio no dia 10 de fevereiro. A Prefeitura adotou a tática do silêncio e se recusa a comentar as acusações.

Se não vai por bem, a Câmara tentará obter as explicações pela força. O vereador Márcio do Flórida (PT) apresentou um requerimento cobrando informações de Alexandre Ferreira sobre o período em que foi feito o aterramento e sobre o responsável pelo serviço. “A população está nos pressionando e cobrando uma providência por parte da Câmara Municipal. Há indícios de que foi usada terra do cemitério. Se isto ocorreu, é um fato grave e os culpados serão responsabilizados”.

Na opinião do petista, as denúncias, se comprovadas, se constituem em um fato grave. “Além de prejudicar a vizinhança e usuários da praça, é um desrespeito com as pessoas que estavam sepultadas no cemitério.”

Luiz Vergara (PSB) acredita que apenas uma explicação por escrito da Prefeitura não resolve. Ele pretende convocar Ismar Tavares para dar explicações públicas na Tribuna da Câmara. “Fiz um convite verbal e a bancada do PSDB aceitou, mas depois fui informado que o secretário só aceitaria falar em uma sala fechada. Não concordo com isto e apresentarei um requerimento formal para que as explicações sejam dadas no plenário. O caso requer transparência.”

A discussão dos requerimentos deverá ser a primeira prova de fogo da atual Câmara, formada em sua maioria por vereadores da base governista. A bancada tucana terá dificuldades em brecar a aprovação das propostas diante da repercussão negativa que o episódio da praça com terra de cemitério causou na cidade.

O Ministério Público investiga o caso desde janeiro. Em depoimento ao Comércio e sob a condição de anonimato, três funcionários que trabalharam diretamente na obra da praça afirmaram ter feito o transporte da terra do cemitério para a área de lazer a mando de Ismar Tavares. Apesar disso, o teste de qualidade da água no lençol freático do local feito pela Cetesb não apontou contaminação. Agora foi requisitado o exame do solo.