Não foi apenas na noite do dia 15 de fevereiro que a rua Vicente Richinho, no Distrito Industrial, reuniu jovens e até crianças para consumirem drogas e álcool e terem ali um verdadeiro ringue para uma guerra de sons. A via não possui moradias, apenas empresas. E os proprietários delas relatam que há pouco mais de um ano o local virou ponto de “baderna”. Os depoimentos coincidem com o que o Comércio presenciou há uma semana. Os empresários confirmam que a festa sempre fecha a rua e é regada por funk, bebidas alcoólicas, drogas e sexo. Ainda segundo eles, quem tenta passar pelo local, como frequentadores das casas noturnas, é hostilizado e até agredido.
Os donos das boates garantem que os baderneiros não são os clientes de seus estabelecimentos. A atual situação forçou os prejudicados a se movimentarem. Na semana retrasada, foi protocolada uma reclamação nos órgãos responsáveis pela fiscalização. “Fiz um ofício e encaminhei para o Conselho Tutelar, Ministério Público, Prefeitura e Polícia Militar (...) Parece que isso [a violência] fica vinculado ao público das boates. E não é bem assim”, disse o autor do documento, o advogado dono de um dos estabelecimentos na rua Vicente Richinho, que pediu anonimato.
Os reclamantes relatam que a movimentação no local começa por volta 23 horas e se estende pela madrugada. Ainda de acordo com eles, a maioria dos arruaceiros vem a pé ou em bicicletas. Muitos já chegam com bebidas, mas encontram na Vicente Richinho um comércio “paralelo”. “Tem um carro que para, abre o bagageiro, tira uma mesinha e arruma as bebidas para vender usando até uma luminária”, disse a proprietária de uma das casas noturnas da via.
Segundo ela, as adolescentes dançam depravadamente em cima dos carros. “Elas ficam seminuas e dependendo do jeito que agacham dá para ver tudo.” A sócia da boate lamenta o fato de chamar a polícia e não ser atendida. “Geralmente os policiais chegam às três da madrugada e nem entram na rua. Infelizmente não dá para o pessoal [público da casa noturna] chegar, eles ficam com medo.”
Por conta da violência presenciada na rua, um empresário passou a dormir na empresa nos finais de semana. E diz ter visto cenas terríveis na rua Vicente Richinho. “Presenciei crianças de dez, 12 anos cheirando tiner, bebendo garrafas de vodka no gargalo, usando drogas. O embalo atrai quem tem de 10 a 16 anos.” Ele colocou correntes em frente ao seu escritório para evitar que carros estacionassem. Mesmo assim, o local é usado pelos jovens para urinarem e consumirem drogas.
A cena mais horrível que o empresário diz ter presenciado foi quando viu Alex Engler Pinto, 28, filho do deputado estadual Roberto Engler (PSDB), caído em frente à sua empresa, após ser baleado durante um assalto, em dezembro passado. “Ele caiu debaixo da minha janela. Estava dormindo e escutei alguém gritando: olha o cara, pega o cara, põe o cara no carro. Quando levantei para olhar, vi que o bicho estava pegando.” As balas perfuraram o fígado, pulmão e um dos rins de Alex, que permaneceu internado, mas se recuperou e está bem.
DOCUMENTO
Nesta segunda-feira, o Comércio remeterá ao Ministério Público as fotos originais feitas no Distrito Industrial no dia 15 de fevereiro, sem as distorções aplicadas nas imagens para preservar os menores por imposição legal, para que sejam tomadas as eventuais providências. Outras imagens estão no Portal GCN.
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