08 de julho de 2026

Victor Hugo


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O caderno ‘Folha Ilustrada’, da Folha de S. Paulo, edição de 28 de dezembro último, publicou notícia de exposição sobre o escritor e poeta francês Victor Hugo e seu contato com os fenômenos mediúnicos. Nascido em Besançon, noroeste da França, em 1802, Victor Hugo faleceu no exílio, na ilha de Jersey, em 1885, onde, entre 1853 e 1855, realizou sessões mediúnicas nas quais mantinha contato com vários espíritos, especialmente o de sua filha, Leopoldine, desencarnada por afogamento no rio Sena.

Espíritos que tiveram trajetória de grande destaque na literatura e nas artes enquanto no corpo físico, como Shakespeare e Dante, também se comunicaram. O material resultante das psicografias de textos e pinturas fez parte da exposição que se realizou na Maison de Victor Hugo, em Paris, encerrada em 20 de janeiro último. Na referida exposição, além de convincentes quadros psicográficos (psicopictografia), envolvendo médiuns pintores e pintores médiuns, mas movidos psiquicamente pelos espíritos, houve apresentação de registros fotográficos de experiências efetivadas pela médium Marthe Beraud, analisada pelo cientista Charles Richet, que deu início aos estudos da Metapsíquica, mais tarde ampliados por Joseph Banks Rhine, com o nome de Parapsicologia.

O diretor do museu onde se realizou a exposição, Gerard Audine, classifica as imagens obtidas pela mediunidade de Marthe Béraud como ‘verdadeiras esculturas conceituais’.

As possibilidades mediúnicas de Marthe Béraud eram admiráveis, possibilitando, inclusive, em reunião realizada na Vila Carmen, a materialização do espírito da mãe de Richet, com o qual o pesquisador manteve proveitoso diálogo e realizou experiências utilizando água de barita que se precipitou no recipiente assoprado pelo espírito materializado, exatamente como ocorreria sob assopro de qualquer indivíduo encarnado. O fato impressionou o pesquisador Charles Richet, e acabou demovendo-o de seu cepticismo, e de cuja autoria viemos a conhecer A grande esperança, obra em que relata os fatos constatados por ele próprio, determinando-lhe forte propensão ao espiritismo em geral.

Quando Vitor Hugo desencarnou, em 1885, Allan Kardec já havia publicado o ‘pentateuco espírita’, do qual tomara conhecimento, tendo, inclusive, se correspondido com o Codificador do Espiritismo.

Após sua desencarnação, Victor Hugo publicou romances, muitos deles por médiuns brasileiros, tais como Zilda Gama e Divaldo P. Franco, disponíveis aos interessados na livraria e na biblioteca do Idefran.

Um desses romances, Do Calvário ao Infinito, foi analiticamente estudado, durante janeiro deste ano, no Templo Espírita Vicente de Paulo, trabalhos coordenados pela profa. Valdete de Paula e Silva que nos resultou mais lúcido entendimento das implicações espirituais das criaturas em provas e expiação.

De sua autoria espiritual, há também obra sobre suas experiências mediúnicas enquanto encarnado e na ilha de Jersey, com o título Victor Hugo, a voz do exílio, de leitura responsavelmente recomendada, experiências vividas por um dos maiores poetas da língua francesa recheado de curiosidade porque resultante de experiências mediúnicas e de características fenomênicas que ele próprio realizara.

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca