08 de julho de 2026

O rádio e a torre Eiffel


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A construção da torre Eiffel durou dois anos, dois meses e cinco dia, sendo concluída em 31 de março de 1889 com pouco mais de 300 metros de altura, verdadeiro recorde. Foi encomendada para data especial, a Exposição Mundial da França, que comemorava os 100 anos da Revolução Francesa, e, por isso, tinha que ser extraordinária.

O hoje símbolo indiscutível de Paris, a obra foi bastante criticada na época. Em 14 de fevereiro de 1887, o jornal francês Le Temps publicou uma carta de protesto de artistas da França, que chamavam a torre de “monstro”.

As críticas foram muitas e a criatividade dos xingamentos não tinha limites. Paul Verlaine a comparou com um esqueleto urbano e Guy de Maupassant, com uma “pirâmide alta e estreita de escadas de metal”. O povo ignorou as advertências dos artistas e dois milhões de pessoas visitaram a torre Eiffel em 1889, durante a Exposição Mundial, que foi sucesso.

Construída para ficar exposta por apenas 20 anos, findos os quais, seria desmontada, seu criador, engenheiro Alexander Gustav Eiffel, tinha, secretamente, planos de perpetuá-la. Não por acaso escolheu construir com ferro fundido, material barato em relação ao aço e de imprescritível durabilidade, necessitando apenas de rotina de pintura para sua conservação contra efeitos do tempo e da natureza, portanto, baixo custo de manutenção.

Conforme os 20 anos foram passando, Eiffel seguiu criando outras utilidades para a torre, todas ligadas ao desenvolvimento da ciência e suas diversas modalidades. Logo acima dos arcos de sustentação do primeiro patamar da torre, podem ser vistos os nomes de 72 cientistas mais proeminentes da época.

Dessa forma foram feitas várias instalações científicas na torre, entre elas uma estação meteorológica com ênfase em estudos de ventos, preocupação constante de todo o engenheiro civil militante na área de construção de torres, e Gustav Eiffel não era diferente.

No entanto, o invento científico decisivo para a perpetuação da torre Eiffel foi a instalação de uma estação de rádio, utilizada a princípio pelas Forças Armadas francesas e cuja importância foi decisiva durante a primeira e a segunda Guerra Mundial, justificando, definitivamente, sua necessidade de permanência.

Hoje, a torre Eiffel abriga várias emissoras de rádio em antenas adornadas pelo pavilhão francês. É também o monumento mais conhecido e visitado do mundo: anualmente, sete milhões de visitantes geram uma receita de 65 milhões de Euros por ano visitando. Há 120 anos continua sendo, também, palco de um fenômeno magnética: o vai e vem de casais apaixonados de todo o mundo.

Dane Avanzi
Advogado, diretor do Instituto Avanzi, de Defesa do Consumidor de Telecomunicações