09 de julho de 2026

Oito em cada dez estudantes já usaram álcool, diz estudo


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Um levantamento apresentado ontem pela Secretaria Municipal de Saúde de Franca mostra que de cada dez estudantes do ensino médio das redes pública e particular da cidade, oito já consumiram bebida alcoólica. Desses, seis fizeram o uso de álcool em mais de uma ocasião. Os dados fazem parte da pesquisa quantitativa “O Universo Adolescente”, encomendada pela secretaria para conhecer o perfil do jovem francano entre 14 e 17 anos. O objetivo é, por meio da coleta, traçar políticas públicas de prevenção e combate a drogas voltadas para esse público.

O estudo foi realizado pelo instituto de pesquisa Datalink, no segundo semestre do ano passado, com 924 jovens de 13 escolas da cidade, sendo três particulares. De acordo com a metodologia aplicada, em cada unidade foram selecionadas três classes - uma de cada série do ensino médio. “O questionário tinha 52 questões e aplicação durou em média 25 minutos”, disse Raphael Ferreira de Barros Filho, diretor do Datalink.

Além do consumo de álcool, o estudo revelou ainda que 21,2% dos entrevistados havia tomado ao menos um “porre” nos dois últimos meses antes da pesquisa e 13,3% já tinham fumado maconha.

Em relação ao consumo de drogas ilícitas, 7% dos jovens ouvidos também disseram já terem usado outro tipo de entorpecente diferente de maconha, crack e cocaína. Entre as citadas apareceram substâncias como loló, LSD e até ecstasy e haxixe.

“Os números são preocupantes, pois os jovens não têm consciência do perigo que correm”, disse a médica psiquiatra Ana Cristina Machado de Paula. “Em relação ao álcool, há uma facilidade de oferta e a bebida é degrau para outras drogas, já que sobre o efeito do álcool os jovens ficam estimulados a conhecer novas drogas”, completou.

No levantamento, feito por amostragem, os estudantes ainda responderam sobre o consumo de drogas nas redondezas de casa e da escola. Nos dois casos, 73,6% confirmaram já terem presenciado a cena. Há também dados sobre o uso de drogas na família, em baladas e informações sobre furto e agressão física no interior da escola e a vida sexual desses estudantes com questionamentos, por exemplo, a respeito do uso de preservativo.

“Os dados nos surpreenderam, apesar de que já tínhamos uma noção tendo com base o cenário nacional, porém, precisávamos dos números locais para traçar as políticas. Entre todas as informações, o que mais chamou a atenção foi em relação ao volume de estudantes que já tiveram contato com álcool e maconha”, disse a secretária de Saúde, Rosane Moscardini.