A audácia dos ladrões tem tirado o sono dos comerciantes da Vila Santos Dumont, em Franca. Diante de um novo modo de atuação, nem mesmo o uso de grades surte efeito na tentativa de barrar a ação dos bandidos. Sem ter como invadir os estabelecimentos já que grades foram colocadas nas entradas, os ladrões passaram a “pescar” as mercadorias, principalmente roupas, através de vitrines estilhaçadas. Somente na última sexta, duas lojas na rua Simpliciano Pombo foram alvo.
Em menos de um mês, a loja de confecção do empresário Francisco Sérgio foi furtada duas vezes. Na última, cerca de 30 peças foram levadas com o uso de um gancho. Os ladrões quebram a vitrine, colocam as mãos entre as grades e com o auxílio de uma espécie de vara puxam as roupas das araras e prateleiras. “A ação é muito rápida e eles levam o que podem entre calças, vestidos e blusas. A gente fica sem saber o que fazer”, comentou.
Para evitar novas ações, a proprietária de outra loja da via, Márcia Regina Malta, aumentou o número de portas (são quatro até chegar ao interior da loja) e providenciou uma grade mais justa para a vitrine. A loja já sofreu três invasões nos últimos anos, todas durante a madrugada.
No estabelecimento vizinho, a proprietária Tânia Picoli adotou uma rotina de prevenção todos os dias antes de fechar a loja. Ela retira as roupas e cabides que ficam próximos da porta e vitrines e só os recoloca no dia seguinte.
Segundo os comerciantes, as ações dos bandidos funcionam como arrastões, sempre de madrugada, por volta das 3 horas, e são praticadas por grupos de três a quatro indivíduos. Na maioria das vezes, os marginais estão de moto. No local, é difícil encontrar um comerciante que ainda não sofreu um furto ou roubo. Representante de uma loja feminina e masculina, Mara Christina Pazetto, diz que também tem evitado deixar roupas expostas durante a noite e é a favor da contratação de segurança armada para a rua.
Na loja do comerciante Helton Alves Pereira, além da ação noturna, os ladrões chegaram armados às 15 horas e pediram principalmente calças de marca. “Grades não são mais sinônimo de segurança. A gente mora do lado e não ouve nada. Quando se percebe, já estão longe”, explicou.
A POLÍCIA
O comandante da 5ª Companhia da Polícia Militar (responsável pela área), capitão Cleotheos Sabino, foi procurado ontem e disse que medidas preventivas já foram estudadas para evitar a ação dos bandidos na região, porém elas só poderiam ser detalhadas posteriormente ao final da reunião da qual participava. Procurado novamente no horário combinado, o capitão não atendeu as ligações feitas para seu celular.
No começo do mês, conforme matéria do Comércio da Franca, após reunião com comerciantes da Estação também vítima de furtos, o capitão disse que instalaria a base comunitária durante o dia em pontos estratégicos e intensificaria as rondas na madrugada.