Cerca de 200 pessoas, sendo grande parte formada por invasores do terreno às margens da rodovia Nestor Ferreira, tomaram a Câmara Municipal de Restinga na noite de ontem, protestaram e conseguiram o que queriam. Por enquanto. O vereador Moisés Radaeli (PMDB), que havia proposto os projetos de duplicação da rodovia que liga a cidade a Franca e a construção de uma ciclovia às margens da via, que seriam votados ontem, recuou e os retirou da pauta. A aprovação das propostas prejudicaria os planos do grupo de manifestantes.
O protesto começou pouco depois das 19 horas. As centenas de pessoas saíram em carros, motos e a pé dos terrenos às margens da rodovia, e seguiram em marcha para a cidade. O trânsito ficou lento na principal via de Restinga e vários moradores saíram de suas casas para ver o que acontecia. Nas mãos dos invasores, cartolinas com os dizeres “Queremos moradia” e “O povo, unido, jamais será vencido”. O grupo também cantava.
A caminhada acabou na Câmara. Duas viaturas da Polícia Militar se posicionaram em frente ao local para manter a ordem. Não houve confronto. Os protestantes se espremeram no plenário e clamavam a todo momento pela presença dos vereadores. Apenas alguns apareceram antes do horário marcado para o início da sessão: 20 horas. Após lida a pauta, os reclamantes ganharam voz na tribuna e defenderam o direito de ter as terras.
O vereador Cloves Martini Cubas (PTB), o Truvão, foi quem entrou em maior conflito com a plateia. Foi o ápice da exaltação. De resto, o protesto seguiu tranquilo. Porém, a paz só tomou conta da casa quando o vereador Radaeli retirou os projetos, e disse que só os propôs, 30 dias atrás, porque ainda não sabia da invasão.