A conversa entre o grupo que ocupou a área às margens da rodovia Nestor Ferreira, entre Franca e Restinga, e o prefeito Paulo Pitt (DEM) não fluiu. De um lado, os invasores não aceitam a justificativa do prefeito de que a área pertence ao município desde a década de 1990 e prometem resistir. Do outro, está Pitt que diz ser inaceitável a ocupação e que ingressará com reintegração de posse.
Ontem pela manhã, o prefeito esteve no local para dar uma entrevista ao Hora da Verdade, da rádio Difusora, mas, pressionado pelos populares, deixou o local antes do previsto. “Não sou obrigado a passar por isso”, disse.
Pitt disse que a reivindicação dos moradores por moradia é justa, mas reafirmou que ingressará com o pedido de reintegração de posse, caso a área não seja desocupada.
“Já temos um conjunto habitacional no município em construção. Por isso, não tem nexo utilizar a área ocupada para outra coisa a não ser para via pública. Eu, enquanto prefeito, nem se quisesse poderia doar o terreno em razão da questão da improbidade administrativa”, disse Pitt, que pretende construir uma ciclovia no local (leia texto nesta página).
O prefeito citou ainda o bairro Alto da Boa Vista, situado na entrada da cidade, para justificar a impossibilidade do local se transformar em um assentamento como desejam as famílias que lá estão desde domingo. “Já temos o Alto da Boa Vista com sérios problemas, como falta de asfalto. Por isso, é inaceitável essa área ser utilizada para este fim. Não tem como destinar o terreno para a construção civil. Formar um loteamento não é simples e eles estão em área imprópria.”
Mesmo o prefeito afirmando que ingressará com a reintegração de posse, as famílias prometem resistir e permanecer na área. No domingo, cerca de 300 famílias participaram da ocupação. Ontem aproximadamente 40 pessoas ainda permaneciam no local. Cátia Cardoso, 32, uma das líderes do grupo, afirmou que a redução não aconteceu. “A maioria teve que voltar a trabalhar, mas continua com o lote. São pessoas que não têm casa própria e pagam aluguel ou vivem de favor. Queremos casa e não ciclovia como o projeto do prefeito.”
O grupo espera agora a apresentação da escritura da área. “Se for da Prefeitura, a terra é do povo. Vamos permanecer e lutar.” Ontem era possível ver algumas armações de lona no local. Os ocupantes afirmam que a intenção é continuar limpando a área e construir barracas para permanecer no local. Prometem inclusive passar o dia e dormir na área.
Os invasores são todos de Restinga e não têm ligação com o MST (Movimento dos Sem-Terra) da Fazenda Boa Sorte. Porém, recebem orientação de representantes do movimento sobre como agir.