10 de julho de 2026

Professor denuncia falta de segurança em escola do Horto


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Obras são ao lado de salas que ainda funcionam: professor pede que promotor solicite interdição judicial da escola

Materiais de construção espalhados ao redor do prédio, corredores quase impedidos, banheiros trancados por falta de condições de uso, falta de extintores e de saídas de emergência. Esse é o estado em que se encontra a Escola Estadual “Maria Pia”, no Parque do Horto, que recebe diariamente mais de mil alunos nos seus três turnos de aulas. A falta de segurança das instalações é alvo de uma denúncia apresentada ontem ao Ministério Público pelo professor e ex-vereador Marcial Inácio da Silva (PT).

Marcial dá aulas no prédio e se disse preocupado com a segurança dos alunos. “Eu li a reportagem publicada pelo Comércio da Franca no último domingo sobre a condição das escolas e percebi que lá existem inúmeras irregularidades. Decidi denunciar antes que algo mais grave aconteça.”

Segundo o professor, a situação se arrasta há meses. “Desde que começaram as reformas, depois que o prédio foi incendiado no ano passado, tudo funciona precariamente.”

Uma placa fixada na frente da escola informa que o Estado está investindo mais de R$ 830 mil na reconstrução do prédio. “O problema é que eles estão fazendo isso com as crianças e os funcionários aqui dentro. Agora estão retirando o telhado de algumas salas de aula, mas as crianças continuam ao lado. É um risco desnecessário.”

O professor pede para que o promotor de Justiça de Habitação e Urbanismo, Carlos Henrique Gasparoto, solicite a interdição judicial da escola. “Não tem condição nenhuma de segurança. Não há extintores, não há luz de emergência e muitos corredores estão com parte da passagem impedida. Se acontecer outro incêndio, não sei como vai ser”, alerta.

A reportagem visitou ontem a escola. As obras de reforma se concentram na área administrativa e ao lado de duas salas de aula. No momento em que a equipe esteve lá, homens retiravam uma estrutura metálica do telhado bem ao lado de uma sala repleta de alunos.

As obras são separadas do restante da escola por tapumes mal colocados. Qualquer aluno pode ter acesso ao local. Dentro do prédio, pelo menos dois corredores estão repletos de livros e cercados de tapumes. Segundo Marcial, isso acontece porque com o incêndio a biblioteca foi desativada. Os livros estão amontoados pelo chão.

Não há sinalização sobre saídas de emergência ou mesmo a localização dos extintores.

Em nota ao Comércio, a Secretaria Estadual da Educação informou que técnicos farão uma vistoria na escola. “Caso sejam constatados quaisquer problemas, serão adotadas as providências necessárias.”

Na nota afirma ainda que, por se tratar de uma obra de grande porte, é inviável conclui-la apenas durante o período de recesso escolar. “A intervenção tem conclusão prevista para março e está sendo feita em etapas.”

Quanto ao acervo bibliográfico, a Secretaria afirma que a Diretoria Regional de Ensino de Franca determinou que o material seja retirado do corredor ainda nesta semana.