08 de julho de 2026

Fúria no trânsito


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É inegável que o estilo de vida brasileiro atual é pautado pela utilização de veículos automotores. Por uma opção política e econômica, nossa sociedade privilegiou o transporte individual em detrimento do público, claro que em uma época na qual os problemas de trânsito ainda não incomodavam o cotidiano das cidades.

O problema é que com o tempo, principalmente motos e automóveis deixaram de ser apenas um meio de transporte. Aliando design, potência, conforto e preço, transformaram-se em símbolos de status, como vários outros produtos que conformam a moderna sociedade de mercado.

Em si mesma, essa situação não é boa ou ruim. Ela apenas explicita a essência do ser humano, que se baseia muito mais no desejo do que na necessidade. Se existem vários tipos e modelos de carros no mercado, todas as pessoas têm o direito de almejar aqueles que mais lhes agradam, algo que é bastante comum e legítimo dentro do modelo de sociedade liberal em que vivemos.

Quem ainda não tem carro ou moto, acaba colocando esse objetivo como um dos principais de sua vida. Quem já tem, almeja um mais novo e, se possível, um zero quilômetro, independentemente da classe socioeconômica a que pertença. Cada um, dentro de seu sistema de valores, vai em busca de algo que lhe traga um prazer ou uma sensação de conquista, seja um design mais arrojado, uma potência mais elevada ou uma marca que reafirme seu estilo de vida,

Essa situação favorece a ocorrência de acidentes de trânsito, que não se resolvem apenas com campanhas educativas. Em 2012, o saldo do trânsito francano foi bastante triste. Segundo dados da Seção de Trânsito da Polícia Militar, foram 6.100 acidentes durante o ano passado, com 45 mortos e 2.113 feridos, o que levou a cidade a um deprimente segundo lugar entre as cidades com mais de 300 mil habitantes no Estado de São Paulo.

E o pior é que esse problema deverá se intensificar ainda mais com o aumento de consumo de motos e automóveis, já que as ruas e avenidas não se alargam no mesmo ritmo desse consumo. Se somarmos a esse fato as condições de estresse e de ‘correria’ verificadas na vida urbana contemporânea, não é difícil imaginar as diferentes e perigosas reações que deverão se multiplicar no trânsito francano, transformando-o cada vez mais em uma verdadeira arena de guerra.

Obviamente, as campanhas educativas devem continuar, porque são importantes e necessárias. Mas, infelizmente, atingem apenas o concreto e o racional das pessoas, não o emocional, que é o principal responsável pelas reações humanas quando no trânsito. Talvez seja necessário agregar a essas campanhas um maior rigor nas punições, sobretudo aquelas que atingem o bolso do cidadão.