09 de julho de 2026

Pedreiros mudam maneira de trabalho e viram ‘empresários’


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O pedreiro José Francisco Vilela (à frente) se tornou um pequeno empresário contratando colegas de profissão

Eles ganham a vida erguendo casas, prédios e barracões e estão conquistando cada vez mais espaço no mercado da construção civil em Franca. De simples pedreiros se tornaram construtores de mais de uma obra ao mesmo tempo, têm funcionários contratados e uma renda pelo menos duas vezes maior em relação ao período em que trabalhavam sozinhos.

Com dez anos de profissão, José Antônio Martins, 39, é um dos pedreiros de Franca que virou construtor. O aquecimento da construção civil e a alta demanda por profissionais foram fatores que o motivaram a se tornar um pequeno empresário do ramo. Hoje “toca” até quatro obras simultaneamente. “No começo pensei que não iria conseguir, mas a gente só obtém experiência trabalhando. Fiz um anúncio e logo passei a ser chamado para fazer orçamentos e depois tocar a obra. Deu certo e hoje faço do alicerce ao acabamento.”

Martins diz que se o contratante preferir também realiza só o arremate final do imóvel. “Vai do desejo de quem me procura, mas quando se trata de uma obra pequena o comum é minha equipe realizar ela toda.”

Diante dos inúmeros convites para assumir diferentes construções, o pedreiro José Francisco Vilela, 46, também percebeu que a saída era contratar outros colegas de profissão e se tornar um pequeno empresário da construção. Assim, deixou de recusar chamados de trabalho e viu seu rendimento mensal saltar de R$ 2,5 mil para até R$ 7 mil. Segundo Vilela, essa mudança só ocorreu porque o setor está em alta graças aos incentivos dados pelo governo federal.

Para os profissionais entrevistados, a função de construtor traz mais responsabilidade e exige aliar conhecimento a profissionalismo. Os novos empresários da construção civil precisam ainda saber contratar os pedreiros que irão trabalhar em cada obra. “Você tem que ter a turma certa para poder trabalhar com tranquilidade e acompanhar de perto, além disso precisa saber administrar já que na época das chuvas o ganho diminui”, disse Jair da Silva, 54, que trabalha há mais de uma década dessa forma. Como construtor toca até sete obras juntas e chega a ter 20 funcionários sob seu comando. O que está há menos tempo com ele já trabalha há sete anos. Silva, em conjunto com sua equipe, faz casas, sobrados, barracões e pontos comerciais. E ele escolhe para qual cliente vai trabalhar. “Tem o que quer só a construção, outro com o acabamento e até a casa completa.”

ANÁLISE
O diretor regional do Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) de Ribeirão Preto, Eduardo Nogueira, diz ver com satisfação o surgimento dessa nova classe empreendedora na construção civil. Segundo ele, essa transformação deve-se à forte demanda no setor e colabora para o surgimento de novas vagas. “Esses pequenos construtores formam equipes reduzidas, geralmente com a presença de familiares, o que propicia um bom relacionamento pessoal e grande avanço no planejamento e na execução.” Para Nogueira, a construção civil continua aquecida. Até outubro último possuía 3.967 trabalhadores com carteira assinada.