Segundo matéria publicada pela Folha de S. Paulo, edição de 30 de janeiro, o gás produzido pela queima do revestimento interior da boate Kiss, em Santa Maria (RS), provocando a morte de mais de duas centenas de jovens durante balada, é o cianeto que, sem cheiro e sem cor, intoxica letalmente em poucos minutos. Informa também que o gás é o mesmo que fora utilizado pelos nazistas para extermínio de judeus.
Sem pretender ferir suscetibilidade de familiares atingidos pelo doloroso sentimento de perda de entes amados, e com quem solidarizamos, é oportuno considerar que, em acontecimentos daquela natureza, está presente o cumprimento da lei de causa e efeito. Trata-se de processo de resgate coletivo a acudir-nos os espíritos que, finalmente, na justa medida do grau de seu comprometimento anterior, individual ou em grupo, e ante o descaso que cometemos frente a reiteradas ocasiões remissivas misericordiosamente concedidas, vemo-nos, finalmente, felicitados pela solução de terrível carga que nos atormentava a consciência.
É então que lamentamos haver perdido as felizes oportunidades, em vidas saudáveis e corpos perfeitos, reiteradamente emprestadas para cumprimento de promessas de nos redimirmos mediante a prática do bem, o eficaz neutralizador dos efeitos do mal. E eis que sentimos que é chegado o momento em que, lúcida e decididamente, suplicamos a volta à carne com o grave objetivo de resgatar a pesada culpa.
Pela psicografia de Chico Xavier, o espírito Irmão X nos dá conta de que, entre tantos outros casos, profunda e coletivamente angustiosos, é de igual natureza o episódio ocorrido na cidade de Niterói, no início da década de 60, quando, alastrando-se pela lona de mundialmente famoso circo, violento incêndio matou cerca de 500 pessoas, deixando mutiladas outras 260. Informa a citada fonte espiritual que as condições do terrível episódio eram idênticas àquelas em que cristãos sucumbiram em Lyon, na França do ano de 177. Ali, estavam reunidos pela conjugação natural dos desígnios divinos aqueles que recusaram aproveitar reiteradas ocasiões redentoras, e que movidos por desconfortável sentimento de culpa, imploraram que se fizessem capazes de resgatar tão escabroso débito.
Lembramo-nos do ‘a cada um segundo as suas obras’, do nosso Mestre Jesus, e da sua ortodoxa confirmação da ciência dos homens, segundo enunciado do físico e matemático inglês Isaac Newton: ‘A cada ação corresponderá sempre uma reação igual e em sentido contrário.’
Hoje, contudo, quando viça a compreensão dos postulados do Espiritismo, considerável parcela da família humana já se beneficia com o entendimento de que, se estamos num planeta de expiação e provas, é que não somos ainda bons o suficiente para premiarmo-nos com mais confortadora posição. Mas, conforta-nos a certeza de que a vida não acaba, ninguém perde ninguém e que o nosso individual esforço evolutivo tem a suprema finalidade de nos fazer efetivamente felizes.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca