10 de julho de 2026

Lojistas se armam contra assaltantes


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José Francisco da Silva montou uma cama improvisada dentro da sua loja, onde dorme todas as noites com receio de assaltos

Enquanto os moradores de bairros como Jovita de Melo e Palestina temem os furtos que acontecem principalmente durante o dia, os comerciantes da avenida Adhemar de Barros se sentem inseguros em deixar os estabelecimentos à noite devido aos furtos registrados na região nos últimos meses. Em geral, os ladrões arrombam a porta da frente e levam dinheiro e mercadoria.

Como alternativa de prevenção, há comerciantes que instalam câmeras, alarmes e grades. Há ainda aqueles que adotam medidas mais radicais. É o caso do comerciante José Francisco da Silva que, após ter sido furtado quatro vezes nos últimos dois anos, resolveu dormir na loja.

“Todas as vezes que eles arrombaram a porta foi à noite, então resolvi vigiar de perto, porque não ficava tranquilo em casa. Tenho medo que entrem novamente.” Uma cama improvisada foi instalada entre as prateleiras de mercadorias. José Francisco também reduziu o horário de atendimento. Até há pouco tempo, ficava aberto às 23 horas, atualmente por questão de segurança não passa das 20 horas.

A mesma medida foi adotada pelo proprietário da loja de roupas onde as vendedoras Jéssica Lacerda e Tatiana de Cássia trabalham. “Em dezembro, não ficamos abertos até tarde como as lojas do Centro por medo de assalto. Não passamos das 20h30”, disse Tatiana, que relembra o furto ocorrido na loja no ano passado. “Eles entraram pelos fundos e arrombaram a porta. Levaram várias mercadorias. Recentemente tentaram quebrar a grade da frente, mas o alarme disparou”, contou Jéssica. Além da grade e do alarme, também foram instaladas câmeras de vigilância dentro do estabelecimento.

Há sete meses a família da comerciante Isabel de Oliveira abriu a segunda unidade na Adhemar de Barros para vender frango assado. Ouviu de outros comerciantes sobre os furtos e não teve dúvidas. “Instalamos grade nas portas, câmera e alarme. Felizmente nunca tivemos problemas, mas não ficamos tranquilos. Sempre passo em frente ao estabelecimento à noite para ver se está tudo bem.” O atendimento também não passa das 20h30.

A proprietária de uma loja de peças para moto, Ana Garcia, também teme o ataque dos ladrões. Como medida de segurança instalou alarme na loja. “Nunca entraram na minha loja, mas sempre ouvimos as histórias. Há 15 dias, entraram em um restaurante na avenida. Acho que deveria ter mais policiamento, principalmente à noite”, disse.

POLICIAMENTO
De acordo com a capitão Cláudia, chefe da seção de assuntos civis do Batalhão da Polícia Militar de Franca, já existe um policiamento direcionado especificamente para aquela região devido à incidência de outros delitos. “Porém, levantamento de dados da Polícia Militar, constatou que temos um número pequeno de furtos na via. Fevereiro não temos registro de furto lá [estatística da PM]. Em janeiro tivemos dois. Talvez as vítimas não tenham registrado os boletins [subnotificação].” Os números da PM são baixos, porque, geralmente, as vítimas de furtos na madrugada procuram diretamente a Polícia Civil.

Atendendo a uma série de reivindicações dos moradores e comerciantes daquela região, o pastor Otávio Pinheiro (PTB) apresentou na última sessão da Câmara uma indicação solicitando à Prefeitura Municipal a instalação de dois equipamentos eletrônicos na via para aumentar a segurança. “A proposta é instalar uma das câmeras na altura do Jardim Líbano e outra no Palma. A indicação foi aprovada e será encaminhada para análise do prefeito [Alexandre Ferreira, PSDB].” O pastor afirma que as reivindicações tiveram início em dezembro.