Já não cultivo lembranças
do passado feliz em que
eu sonhava com o futuro.
Mas tenho saudade
de sonhar.
Saudade do que em mim era casto
e da ânsia pelo amor.
E pensar que o amor,
como tantas outras coisas,
foi um engano desastroso.
Mais que isso: uma sucessão de enganos.
Não. Nenhuma lembrança,
nem doce nem amarga.
Apenas a existência,
que eu vou gastando dia após dia.
Esse hoje que se arrasta
em direção a um amanhã
com “A” maiúsculo.
Amanhã sempre adiado.
Quantas decepções
a gente digere
ao longo dos anos!