Anos 50. Não tinha Fantástico. Nem Faustão. Nem televisão, a bem da verdade. Os filmes em estréia no final de semana nos cinemas Odeon, São Luiz e Avenida permaneceriam em cartaz até o próximo sábado: melhor esperar para vê-los sem filas e barulhos dos insuportáveis adolescentes que freqüentavam as concorridas sessões das 18 e 20 horas dos domingos e das 19 e 21, do sábado. Melhor ir passar o domingo - ou o sábado, ou ambos -nas Águas Quentes. Ou na Piçarra. Não havia, por essa época, ranchos do Estreito ou da Rifaina. As famílias se acomodavam nos pequenos carros de então, que iam, superlotados, para as estâncias, tão vizinhas de Franca. Isso, quando não iam de caminhão que carregava tralha e passageiros na carroceria. A foto, provavelmente tirada com uma jurássica Kodak quadradinha. Estão registrados, entre alguns outros irreconhecíveis turistas: Dr. Chafick Facury e dona Irany, com os meninos. Abrão Jorge Sobrinho, dona Nadima, o filho Paulo César. Bahij Anawate e dona Yvone. Latifa e Nelson Salomão. Luiz Quirino da Silva e Maria. Sônia Menezes Pizzo e Melaída. Jorge Tabbah e a filha Wilma. O jovem Eduardo Azzuz. Às mulheres casadas mais jovens, ou às mocinhas, permitia-se o uso de (comportadíssimos) maiôs com sainha na frente. Marca Catalina, a grife das misses. Na falta de restaurantes, para o piquenique eram levadas cestas com os lanches - sanduíches, frango assado com farofa, guaraná caçula. Essa turma levava quibe, com certeza. Voltavam exaustos, contentes, alegres. A vida era assim, também, feita de alegrias simples.
(Lúcia H. M. Brigagão)