A criminalidade preocupa os comerciantes francanos, sobretudo aqueles que estendem seu horário de atendimento ao público até altas horas da noite. O clima de insegurança os obriga a fazer investimentos cada vez maiores em monitoramento eletrônico e alarmes. Tais dispositivos, nem sempre, inibem a ação dos bandidos. A alternativa encontrada para o problema é a contratação de seguranças particulares, os chamados sentinelas. Eles são vigilantes que observam o comportamento de consumidores com aparência suspeita ou que podem representar perigo ao estabelecimento. Alguns desses profissionais são policiais militares que aproveitam a experiência adquirida na corporação para ganhar um dinheiro extra. Essa postura é condenada pela Corporação.
Em uma relojoaria no Centro, a vendedora Aline Carrijo, 20, confirmou que os assaltos cessaram depois que os proprietários da loja contrataram um segurança particular. Há quase um ano, duas funcionárias viveram momentos de terror depois que três bandidos armados invadiram a loja próximo ao horário de fechamento. “Eles entraram, fecharam a porta da frente e pediram ouro e prata. Eu estava no fundo (da loja), vi a movimentação e fugi para chamar a polícia”.
O assalto aconteceu em março do ano passado e, desde então, Wellington Donizete da Silva, 37, passou a fazer a segurança, em frente à loja. Ele trabalha em horário comercial (das 9 às 18 horas), o que facilita arrumar outros trabalhos noturnos. Ele disse que o emprego é “sossegado” e reconhece que sua presença desestimula a ação de ladrões. “Eu fico de olho nessa molecada de bermudão e boné. Normalmente, são os mais novos que fazem esse tipo de coisa. Pessoal com mais idade é mais esperto”, explica o vigia que trabalha há 8 anos com segurança comercial.
A remuneração para este tipo de atividade varia bastante de estabelecimento para estabelecimento. Em alguns, o pagamento é mensal e chega R$ 1.500. Já em outros a remuneração é baseada em hora trabalhada, com preços que variam entre R$ 10 e R$ 12. “[Os seguranças] Quase sempre são policiais. A gente liga para um e ele arruma outros, em sistema de rodízio. Certamente, por causa das escalas da própria polícia”, disse o comerciante Túlio Rossato, 19, gerente de uma panificadora na Vila Aparecida.
Depois de nove assaltos seguidos, essa foi a solução encontrada por Rossato para o estabelecimento. Segundo ele, os clientes comentaram que se sentiram mais seguros para ir à padaria durante a noite. “Ficamos abertos até as 22 horas, mas já fomos roubados em praticamente todos os horários. Com os policiais [à paisana] do lado de fora fica mais tranquilo para eles [clientes] e para gente”.
Em supermercados, a medida também não é mais novidade. Na loja 9 da rede Varejão Irmãos Patrocínio, próximo a rotatória da avenida Brasil, a gerente Cássia Moreira Silva, 36, disse que só mexe no dinheiro depois que o sentinela chega para trabalhar. Quem faz a segurança na unidade também é um policial, que segundo a gerente trabalha armado. “Quando o bandido entra para roubar, ele procura os caixas, então ele só fica na entrada da loja. A gente trabalha melhor sabendo que tem alguém observando esses indivíduos suspeitos”.
No Jardim Petraglia, a empresária Elisangela de Oliveira, proprietária do supermercado Elmac disse que contrata serviços de sentinelas há cinco anos e acredita que este seja o único meio de prevenir assaltos. “Enquanto o dinheiro que a gente paga em impostos não for revertido em segurança, vamos ter que continuar quebrando a cabeça e gastando dinheiro com bandidos”, explicou.