09 de julho de 2026

Ponte da General Telles se torna ‘casa’ para moradores de rua


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MÓVEIS E ALIMENTOS - Mesa, vasilhas, pratos e até alface fresca estavam embaixo de pontilhão da rua General Telles sobre a avenida Hélio Palermo na semana passada

O que era para ser apenas o vão de uma ponte na região central de Franca se transformou em uma espécie de abrigo para moradores de rua da cidade. No local havia, na sexta-feira, móveis como mesa, uma cadeira de madeira, colchões, dezenas de peças de roupa, caixas de madeira, um espelho e até um molho de alface fresca.

Embora o cenário não seja visível para quem passa pela rua General Telles, na descida da Estação para o Centro, ele está às claras aos motoristas que transitam pela avenida Hélio Palermo, sentido Walmart/City Posto. Segundo os moradores da região, cerca de cinco desocupados vivem debaixo desse pontilhão e atormentam a vizinhança com inúmeros pedidos - principalmente de dinheiro e comida - e ameaças. Eles “moram” no local desde o ano passado.

O acesso à moradia improvisada ocorre por estreitos caminhos abertos na grama ao lado da ponte. O vão é fundo e foi construído na forma de uma escada; o grupo ocupa o último degrau. No espaço, além dos utensílios domésticos, como pratos e vasilhas, há restos de fogueira, comida e muito lixo. Um forte cheiro de urina ainda exala de um dos cantos da ponte e também incomoda.

Na última sexta-feira a reportagem do Comércio esteve no local, mas não encontrou moradores. Já na praça próxima da ponte, um homem foi indicado pelos vizinhos como um dos integrantes do grupo. Ele dormia sobre um dos bancos.

De acordo com quem vive nas imediações, a maior concentração de pessoas ocorre no final da tarde e se desfaz na manhã do dia seguinte, entre 8 e 9 horas. “A gente fica até com medo de chegar ou sair de casa. Não sabemos qual pode ser a reação deles”, disse uma senhora que preferiu não se identificar. Segundo ela, frequentemente há desocupados em frente a sua casa e durante a noite é possível ouvir muitos gritos vindos do local. “Eles também vivem fazendo fogueiras e soltando bombas.”

Para o funcionário público Afonso Infante Vieira, o problema poderia ser resolvido com o fechamento da abertura formada embaixo da ponte. “Eles não ficam nas outras pontes porque não existe o vão e há uma rampa no lugar dos degraus. Se a Prefeitura fechasse o vão, acredito que iria melhorar.”

A dona de casa Maria Aparecida Veiga de Melo, que passeava com os cachorros próximo à ponte, disse que é comum a Guarda Municipal ir até o local e providenciar a limpeza da área e retirada dos moradores. “Eles somem por alguns dias, mas depois acabam retornando. Não conseguem resolver o problema.”

OUTROS PONTOS
Nos outros dois pontilhões sobre a avenida Hélio Palermo (um na rua Voluntários da Franca e outro na rua General Carneiro) também não foram localizados moradores de rua, apenas alguns vestígios como caixas de papelão e restos de alimentos. No caso do vão existente na ponte da rua Voluntários da Franca, o espaço não chega a comportar mais do que duas pessoas. Já na ponte da rua General Carneiro não há espaço para abrigar pessoas. O mesmo vale para a ponte da rua Batatais, essa localizada sobre a avenida Antônio Barbosa Filho.

A secretária de Ação Social, Gislaine Alves Peres, disse que a Prefeitura acompanha o grupo no pontilhão da General Telles e costuma oferecer atendimento no Abrigo Provisório, mas normalmente eles não aceitam ir para o local. O município estuda a implantação de um novo local para atender moradores de rua, o Centro Pop, um projeto do governo federal.