08 de julho de 2026

Lições Amargas


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Diz a sabedoria popular que ‘todo mal vem para bem’. Com isso quer o povo dizer que o mal tem vida transitória, efêmera, que só o bem é permanente. E não poderia ser de outra maneira, posto que Deus é amor, sabedoria, misericórdia, e não permitiria a existência do mal como um fim em si mesmo.

O bem vem sempre como resultado do mal. Seja para resgate do passado delituoso ao qual estamos vinculados e do qual a nossa consciência quer se livrar, seja para que possamos tirar lições preciosas para a nossa melhoria, já que somos, por enquanto, espíritos em processo evolutivo.

Dos dolorosos acontecimentos que se deram em Santa Maria (RS), e que consternaram o nosso País, é preciso que tiremos lições oportunas do sofrimento ali gerado.

Em primeiro lugar é inadiável que empresários compreendam que lucro não pode ser obtido a qualquer custo, especialmente se este custo é a vida de muitas pessoas. O resultado financeiro é, indubitavelmente, a mola propulsora do negócio, no entanto, acima dele deve estar a vida humana, em torno da qual tudo deve girar. A vida é o bem mais sagrado de que dispõe o espírito para realizar sua trajetória evolutiva. As autoridades de todos os níveis devem entender que o atendimento às exigências das tarefas que lhes estão afetas são impostergáveis. É preciso todo rigor na fiscalização do cumprimento das leis. Não é admissível colocar em risco a vida das pessoas, omitindo-se na desincumbência das obrigações que lhes são inerentes ao cargo. Mais inadmissível é aceitar que se emita um alvará em desacordo com as normas vigentes. Vidas não podem ser o preço da omissão e da corrupção. Ai está o ônus de quem assume posições de comando. Não podem delegar sem conferir, sem acompanhar. Dir-se-á que é impossível acompanhar tudo. Porém, que se criem condições e equipes capazes de efetuar as devidas e imprescindíveis vistorias, garantidoras da segurança. Equipamentos, pessoal, treinamento, seja o que for, tudo é barato quando se trata de evitar mortes.

De nada adianta, agora, procurar os culpados. Vidas foram ceifadas no verdor da existência. É preciso que se aprenda a grande lição. Que se detectem falhas e promovam-se correções. Que ninguém se exima do erro cometido. Que cada um responda segundo o grau de sua própria culpa, mas, o mais importante, agora, que o pior já aconteceu, é mudar a conduta. Aproveitar as lições que o nefasto acontecimento ofereceu. Não basta ser punido, é precioso aprender, conforme, também, ensina o povo. ‘É errando que se aprende.’

Um fato desta magnitude ecoa no tempo e no espaço. Famílias inteiras feridas pela perda da representação física dos seus filhos.

Para nosso consolo, felizmente, eles continuam vivos e dirão, no futuro, porque escolheram tal acerto com as Leis Supremas.

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca