8 de fevereiro de 1974. Porta de entrada principal da Igreja São Judas Tadeu, 17 horas
A aglomeração de pessoas grã-finas, finamente vestidas, contrastava com a simplicidade da vizinhança e do público habitual do templo na época. Era casamento do rapaz cujo pai, como ele próprio, industrial, havia contribuído para a construção do prédio e o pároco, como homenagem, pediu que o filho do benemérito se casasse ali. Os convidados chegavam, elogiavam a recém inaugurada igreja enfeitada para receber os jovens que uniriam naquele dia.
Fôramos convidados por vários motivos: havia alguma simpatia entre as famílias do noivo e a minha: o irmão mais velho do noivo, já falecido, fora meu irmão de leite; os pais do noivo tinham ligeira proximidade com meus sogros; terceiro, o noivo e meu marido eram companheiros em entidade de classe francana que representava os fabricantes de sapato. Meu segundo filho completava exato um mês naquela data, lembro-me bem: as manchas de leite na blusa do vestido, na altura do seio – que embalde eu tentava esconder atrás da bolsa e dos braços cruzados na frente do peito – denunciavam a hora de amamentar. Detalhe do qual não me lembro é como eu coube no vestido salmão curtinho de cintura fina, saia rodada, cinto bordado – o único mais chique que possuía naqueles tempos de dinheiro magro. Esperávamos à porta os pombinhos saírem quando um desconhecido senhor de idade começou a falar alto e chamou atenção de todos: era paroquiano emocionado, que repetia sua arenga: nunca havia visto nada mais bonito que os enfeites de flores, que a noiva, que os convidados, que a igreja e que Deus abençoasse a todos! E chorava...
Outra atração, em forma de comentário, entrou nas conversas: o nascimento da filha de casal primos do noivo, na mesma hora da cerimônia, na maternidade no centro da cidade. Confirmadas suas presenças na cerimônia, percebeu-se a ausência deles entre os convivas no mesmo momento em que chegou a notícia trazendo bons augúrios. O bebê se adiantou e nasceu no dia e hora do casamento que os pais programavam ir.
Flash de quase quarenta anos. A aranha chamada vida, com tempo de sobra, teceu fios que formaram teia que possui ângulos, simetria e foi capaz de sustentar grandes pesos. Os noivos do dia 8 de fevereiro de 1974 se tornaram pais de quatro filhos e completam hoje trinta e nove anos de casamento. O casal, cuja primeira filha nasceu naquele dia, teve outros três filhos. Eu, que já tinha dois, ganhei mais dois. Contribuímos no total com doze crianças: sete machos e cinco fêmeas. Os casais ainda são amigos: viajaram juntos, algumas vezes saem juntos, são compadres entre si, comemoraram juntos datas importantes dos filhos, tornaram-se sócios, quem diria. Os filhos, que estudaram nas mesmas escolas e algumas vezes nas mesmas classes, nunca namoraram entre si e entre alguns deles desenvolveu-se sólida amizade. Todos sofreram revezes, mas venceram com galhardia. Isoladamente viveram dramas, sobreviveram. Os filhos se tornaram cidadãos: trabalham, contribuem, desempenham papéis importantes em seus trabalhos – o que revela bases sólidas. A teia, que começou a ser tecida naquele distante ano de 1974, embora tenha sofrido com ventos, chuvas, trovoadas, trancos e barrancos conseguiu se manter ao longo dos trinta e nove anos.
FACEBOOK
O Facebook permite a formação de comunidades por iniciativa de seus participantes. Os nomes dos grupos vão do cômico – Eu Odeio Michel Teló; passam pela auto-estima – Clube da Mulher Bonita; encostam na tietagem – Sou do Rei. Na Cinema no Face, os participantes comentam filmes: enredos, roteiros, artistas e diretores. Nunca comentaram frases pinçadas desses filmes. Eis algumas indicadas na Internet e, no viés, sugestões de bons filmes para o carnaval, caso a monotonia de mulheres peladas, celebridades boquiabertas e excesso de brilhos cansem sua beleza:
Batman - ‘Não é o que eu sou por dentro e sim o que faço é que me define.’
Senhor dos Anéis - ‘Não existe triunfo sem perda, não há vitória sem sofrimento, não há liberdade sem sacrifício.’
Gladiador - ‘O que fazemos na vida ecoa na eternidade.’
Rei Arthur - ‘Não existe morte pior que o fio da esperança.’
Rocky Balboa - ‘O importante não é a força da pancada que você pode dar e sim a força da pancada que você pode suportar para levantar e bater de novo.’
Cruzada - ‘Que tipo de homem é o que não tenta fazer do seu mundo um lugar melhor?’
Matrix - ‘Cedo ou tarde você descobrirá a diferença entre saber o caminho e percorrer o caminho.’
Pearl Harbor - ‘A vitória pertence àquele que acredita nela e àquele que acredita nela por mais tempo.’
O Último Samurai - ‘A flor perfeita e rara podemos demorar a vida toda para encontrar e mesmo assim não ser um desperdício.’
Eragon - ‘Alguns amigos não podem ser substituídos. Felizmente alguns não precisam ser.’
Vanilla Sky - ‘Cada minuto que passa é uma nova chance para mudar tudo para sempre.’
Cidade dos Anjos - ‘Algumas coisas são verdadeiras, acredite você ou não.’
Harry Potter - ‘Não são nossos talentos que mostram aquilo que realmente somos, mas sim as nossas escolhas.”
Hellboy - ‘Admiramos as pessoas por suas qualidades e as amamos pelos seus defeitos.’
Dez Coisas que eu odeio em você - ‘Nunca deixe alguém te fazer sentir que não mereces o que desejas.’
Homem Aranha - ‘Um grande poder traz enormes responsabilidades.’
O Ultimato Bourne - ‘Minha mais eficiente regra é esperar o melhor e me preparar para o pior.’
Transformers - ‘Sem sacrifício, não há vitória.’
A Rainha - ‘Inquieta é a mente que suporta uma coroa.’
V de Vingança - ‘Você usa tanto uma máscara que acaba se esquecendo de quem você é.’
Dragão Vermelho - ‘Nossas cicatrizes têm o poder de nos recordar que o passado foi real.’
Lúcia Helena Maniglia Brigagão
Jornalista, publicitária e membro da Academia Francana de Letras - luciahelena@comerciodafranca.com.br