O sonho de ter um comércio na Estação, bairro tradicional e de grande movimento, tornou-se um pesadelo para os comerciantes instalados na região. Uma onda de furtos nos estabelecimentos, a maioria durante a madrugada, tem tirado o sono dos empresários. Os ladrões invadem os imóveis, seja pelo teto ou arrombando portas, e levam de dinheiro a roupas. Nem os alarmes e câmeras de monitoramento instalados intimidam os bandidos.
Assustados e desanimados, os comerciante se uniram e conseguiram convocar uma reunião para as 11 horas de hoje, no salão da Paróquia São Sebastião, com representantes do Conseg (Conselho Comunitário de Segurança), da Polícia Militar e da Polícia Civil, para clamar por um maior policiamento. Segundo o comandante da 5º Companhia da PM, que abrange a Estação, capitão Cleotheos Sabino, a maioria dos furtos é feita por usuários de droga que vivem na região (leia texto nesta página).
O Comércio percorreu a região no final da tarde de ontem e logo as reclamações pipocaram. A comerciante Marian Youssef Abou Hamed, 70, que conseguiu montar uma loja de roupas próximo à praça do terminal de ônibus há oito anos, já foi furtada cinco vezes. Em todas as ocasiões, seu forro foi arrebentado. Agora, ela deixa um rádio ligado e luzes acesas para afastar os gatunos. “É um ponto muito bom, mas vem ladrão, não dá certo”, lamentou.
Rubens Gabriel Almeida, 23, dono de uma pastelaria há 19 anos, já viu o comércio ser furtado nove vezes. “Aqui é o bandido e a polícia contra os comerciantes. Deveria ser a polícia e os comerciantes contra os bandidos. Você vem, encontra alarme tocando e tudo arregaçado. Duas horas da manhã, o que eles [polícia] estão fazendo? Comendo lanchinho na bolota”, criticou Almeida.
Dono de uma loja de móveis, José Mauro Gomes Lira, 31, foi a vítima mais recente. Na tarde do último sábado, um homem pegou um banco de madeira e tentou correr, mas foi seguro pelo comerciante. Foi o primeiro crime em sua loja. Ele lamenta pelos companheiros de profissão. “A quantidade de furtos está absurda. De novembro para cá, só os casos que eu ouvi, foram 20 comerciantes furtados. E até agora não tivemos providências.”
O medo fez Paulo Ernani de Andrade, 44, dono de uma choperia que tem mais de 30 anos de existência, na rua Voluntários da Franca, fechar mais cedo. Agora, o estabelecimento funciona das 9 às 17 horas. Em um ano e meio, foram cinco invasões ao local. Todas na madrugada. “Você fica inseguro. Por mais que o poder público ajude, fica a insegurança”, reclamou Andrade.