Em 2012, pelo menos um carro por mês caiu nos córregos de Franca, matando e ferindo várias pessoas. Em decorrência dessa triste estatística, muita gente começou a discutir a necessidade de se colocar proteção ao longo das margens dos córregos que cortam as duas principais avenidas da cidade.
Durante boa parte do ano, a discussão ganhou espaço nos principais meios de comunicação da cidade e também invadiu a internet, conseguindo uma ampla divulgação nas redes sociais. Nesses espaços, obviamente, a emoção deu o tom aos debates, tornando praticamente consensual a idéia da proteção ao longo das margens dos córregos.
Naquele momento, porém, o ex-prefeito trouxe a discussão para um nível mais racional e adiantou ser impossível a instalação imediata de qualquer tipo de proteção, já que não havia previsão orçamentária para esse tipo de obra. A despeito da ‘gritaria’, deixou a decisão para seu sucessor.
Obviamente, boa parte da população se manifestou de forma indignada. Nas cartas dos leitores publicadas pelo Comércio e na mídia de forma geral, os protestos foram quase uma unanimidade. E não faltaram também as comparações com outros gastos feitos ou anunciados pela Prefeitura, como aqueles relacionados à construção do viaduto ou à compra do ‘esqueleto’ do prédio na entrada da cidade. Para muitos cidadãos, era inconcebível que existissem recursos para essas obras mais vultosas e faltasse dinheiro para se colocar grades de proteção ao longo dos córregos já que muitas pessoas estavam se acidentando e até mesmo morrendo.
Nessa última semana, porém, a população deve ter ficado satisfeita com o poder público municipal, pois o atual prefeito, Alexandre Ferreira, deixando de lado a resistência de seu partido e cedendo aos apelos de boa parte da comunidade francana, acabou anunciando a instalação de defensas metálicas nos pontos mais críticos da avenida Hélio Palermo, a principal vilã da cidade nesse tipo de acidente.
A decisão, tomada em um momento mais calmo, circundada apenas pela lembrança da morte da estudante Mayellen Silveira, vem com certeza tranquilizar os cidadãos que trafegam por essa avenida e, de certa forma, confortar os familiares que perderam seus entes queridos nesse tipo de acidente.
De qualquer forma, é sempre bom lembrar que a emoção é péssima amiga da razão. Mesmo que consiga minimizar esse tipo de acidente, a colocação dessas defensas não será certeza de nada, pois há também que se pensar nos erros e na imperícia dos motoristas, geralmente os grandes vilões dos acidentes de trânsito.
De qualquer forma, é preciso considerar que essa era uma demanda legítima e bastante consensual da comunidade francana. Nesse sentido, talvez a decisão esteja correta. Agora é torcer para que realmente se alcancem os resultados esperados.