“Seja o que Deus quiser!” A frase foi dia pelo sapateiro Willian Júnior de Souza, 23, na noite de sexta, ao comprar um ingresso para um show sertanejo na boate Montana, que reabriu na sexta-feira, dois dias depois de ser interditada pela Prefeitura em razão de problemas estruturais envolvendo itens de emergência como extintores, luzes e portas.
A interdição veio na esteira de uma série de fiscalizações a boates e casas noturnas em todo país, iniciada na semana passada, após um incêndio resultar na morte de 235 pessoas na na boate Kiss, na cidade gaúcha de Santa Maria.
Willian e outros frequentadores de baladas em Franca não mudaram suas rotinas e tampouco demonstraram preocupação com itens de segurança. Em busca de curtição, muitos avaliaram o episódio como “uma fatalidade” causada por uma sucessão de erros na boate gaúcha.
Willian disse que a frase “Seja o que Deus quiser” saiu espontaneamente depois de ele lembrar do episódio do Sul e do que foi falado sobre o estabelecimento francano durante a semana. “Fiquei sabendo que o local estava com problemas, mas se abriu é porque agora está em ordem.”
Acostumada a frequentar festas na cidade, Helena Rodrigues, 25, acredita que a estrutura e o modo de funcionamento da maioria das casas noturnas francanas são diferentes dos da boate que pegou fogo na madrugada de domingo em Santa Maria. “Na Montana, sei onde ficam as portas e aqui não tem esquema de comanda”, disse, em referência ao controle de consumo de bebidas dentro da casa gaúcha, pago somente na saída, o que teria motivado os seguranças a fechar a porta e impedir a saída dos jovens logo após o inicío do fogo.
Sentadas do lado de fora da boate, as amigas Juliana Dourado e Márcia Maria da Silva disseram que a tragédia era assunto inevitável, mas admitiram que nunca repararam se havia ou não extintores nos locais das baladas. Somente anteontem, em virtude da tragédia, deram “uma reparada rápida” na fachada da casa noturna.
As também amigas Jéssica de Almeida e Adrielle Silva disseram que não dá para ficar pensando que o incêndio no Sul irá se repetir em todos os lugares e que ninguém deixará de ir a uma balada porque existem riscos. “Penso que se tiver que acontecer algo comigo vai acontecer dentro da boate, em casa ou na rua. Risco há em todo lugar”, disse Jéssica.
Se para aqueles que decidiram curtir a noite em uma boate fechada as questões de segurança não despertavam a atenção, em uma outra balada realizada em espaço aberto a preocupação foi ainda menor. Na inauguração da casa Villa Premier, os jovens só queriam mesmo era aproveitar a noite. “Não pensei no incêndio e também não sei onde é a saída. Acredito que seja no mesmo lugar da entrada. Se acontecer algo, vou pelo fluxo”, disse a estudante Karen Ribeiro, 19. Um rapaz que estava junto com as moças riu e disparou. “Se tiver no meio da muvuca, a gente corre.”
Entre os quase 20 entrevistados pela reportagem na noite de sexta, apenas um disse que evitava a aglomeração de pessoas em frente ao palco e reparava no ambiente das baladas. “Procuro sempre ficar em um local mais alto, com vento, mais longe da aglomeração, mesmo antes da tragédia”, disse o modelista de calçados Carlos Alberto Torres, 33.