Poucos são os brasileiros que diferenciam a grande riqueza brasileira em termos de plantas e pássaros. Contam-se nos dedos das mãos os que têm alguma noção. No mundo que está se globa-lizando seria interessante que estas diferenças da rica biodiversidade do país fossem conhecidas pelas crianças, pois certamente continuarão sendo marcas importantes do patrimônio nacional. Hoje estamos mostrando árvore, flor e ave que são símbolos do Brasil: o pau-brasil, o ipê-amarelo e o sabiá-laranjeira.
A árvore: pau-brasil
O nome de nosso país teve origem nesta árvore. Quando, em 1500, os portugueses desembarcaram na costa baiana, descobriram a árvore chamada brazil (com Z), que já conheciam da Ásia. Ela oferecia seiva de cor vermelha, usada para tingir tecidos.
Além do corante, havia sua madeira duríssima, até hoje usada na fabricação de instrumentos musicais como violinos, harpas e violas. Os portugueses arregalaram os olhos diante da floresta.
A presença de pau-brasil na Mata Atlântica foi muito grande até por volta de 1600. Com os colonizadores, começou a extração predatória. Em um século foram derrubadas milhões de árvores destinadas ao mercado português. Atualmente é baixa sua presença no país. Para que não se acabe, lei federal considera crime o corte ilegal.
O pau-brasil tem copa grande e folhagem verde-escura. Suas flores vistosas exibem cinco pétalas: 4 amarelas e 1 vermelha. No Horto de Franca há alguns pés.
Lei assinada em 7 de dezembro de 1978 tornou o pau-brasil nossa Árvore Nacional.
Oswald de Andrade, escritor modernista, usou seu nome no título de um livro: Manifesto Pau-Brasil.
O ipê, encontrado em todas as regiões do Brasil, sempre chamou a atenção de poetas e escritores por causa de sua beleza. O romancista José de Alencar escreveu um romance chamado O tronco do ipê. E isso já faz muito tempo...
Conhecidos também pela resistência e durabilidade de sua madeira, os ipês foram muito usados na construção de telhados de igrejas dos séculos XVII e XVIII. Até hoje sua madeira é muito valorizada.
Ipê é uma palavra de origem tupi. Significa árvore cascuda. Sob o nome ipê aparecem dez espécies de árvores com flores brancas, amarelas, rosa, roxas, lilás. Os ipês são plantas de florestas tropicais, mas também aparecem no cerrado e na caatinga.
Pelo seu menor porte (alguns ficam entre 10 a 20 metros), os ipês-amarelos são bastante usados na arborização das cidades,
Por causa de sua linda cor e por ser nativa, aparecendo em todo território nacional, o presidente da República, Janio Quadros, declarou o ipê-amarelo a flor símbolo do Brasil. Mas não conseguiu oficializá-la, como aconteceu ao sabiá e pau-brasil.
O sabiá-laranjeira, também conhecido como sabiá-amarelo e sabiá-vermelho, é uma ave po-pular, citada por diversos poetas por seu belo canto, que é intenso quando chega a primavera. Foi imortalizado na Canção do Exílio, de Gonçalves Dias: “Minha terra tem palmeiras/ Onde canta o sabiá/ as aves que aqui gorjeiam/ Não gorjeiam como lá”.
No dia 3 de outubro de 2002, o presidente Fernando Henrique Cardoso assinou o decreto que tornou o sabiá a ave- símbolo do Brasil. Também se inspiraram no pássaro para compor, Chico Buarque de Holanda, Tom Jobim, Luiz Gonzaga e muitos outros artistas.
Existem várias espécies de sabiás no Brasil. Os mais conhecidos são caraxué (Amazonas), sabiá-coca (Bahia), sabiá-laranja (Rio Grande do Sul), sabiá-de-barriga-vermelha, sabiá-ponga, sabiá-piranga e o citado sabiá-laranjeira. Ele mede 25 centímetros e pesa cerca de 70 gramas. Tem plumagem parda, com exceção da região do ventre, destacada pela cor vermelho-ferrugem, levemente alaranjada. O bico é amarelo-escuro.
Seu canto, que serve para demarcar território, e no caso dos machos para atrair a fêmea, lembra o som da flauta.