Os cursos de Direito de Franca parecem ter começado janeiro com o pé direito. Divulgado na semana passada, o resultado da primeira fase do 9º Exame da Ordem mostrou que a cidade foi a que mais aprovou entre 30 outras do Estado. Dos 296 candidatos que fizeram a prova, 71 conseguiram alcançar a segunda etapa, o que remete a um percentual de 23,99%.
Em um primeiro momento, o resultado parece mesmo digno de comemoração. Afinal, a cidade foi destaque em todo o Estado. Porém, se os números envolvidos forem analisados com mais profundidade, talvez fosse oportuno não exagerar na alegria dispensada, a começar pelo fato de que esta foi apenas a primeira fase, o que ainda não garante a ninguém o polêmico direito de exercer a advocacia.
Nesse sentido, é importante refletir um pouco mais sobre essa situação. Em primeiro lugar, é preciso chamar a atenção para o baixo aproveitamento de todas as cidades envolvidas nessa primeira fase, bem como de suas respectivas escolas, que a despeito dos esforços e das cobranças do MEC (Ministério da Educação e Cultura), continuam não respondendo devidamente em termos de qualidade de ensino, sobretudo na área do Direito, que recentemente teve alguns de seus cursos fechados pelo Ministério.
Se a primeira colocada só conseguiu aprovar aproximadamente 25% de seus candidatos, é de se supor que todas foram muito mal, pois nenhuma sequer chegou próximo de 50%, que mesmo sendo também um percentual bastante baixo, estaria pelo menos na média.
Nessa mesma linha de raciocínio, inclusive, deve-se observar a crítica do vice-diretor da Faculdade de Direito de Franca, Wellington José Tristão. Para ele, apesar da cidade ter sido destaque, este seria opaco e um pouco sem brilho, pois Franca estaria regredindo em relação a outros exames em que seus alunos se saíram melhor. Mesmo sem saber o número específico de aprovados de cada uma das escolas da cidade, Tristão acredita que estejam faltando estudo e dedicação por parte dos alunos.
A despeito da veracidade dessa afirmação, no entanto, ela chama a atenção para uma segunda importante observação. Ao não saber ao certo o desempenho de cada um dos três cursos de direito da cidade, a afirmação de que Franca foi a melhor, apesar de transparente e verídica, não esclarece exatamente qual o mérito de qual curso.
Apesar de Franca ser reconhecidamente um importante polo no ensino de Direito, nem suas escolas, nem seus alunos apresentam desempenho iguais. Seria uma informação interessante para futuros alunos ter claro, em mente, qual foi exatamente o desempenho de cada curso.